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O Natal e o Fim de Ano são datas festivas que convidam ao consumismo e à ilusão, onde os portugueses mergulham com gosto, mesmo que tenham de se endividar. Coisa habitual num País assente numa enorme dívida pública e privada, que nos tolhe o passo a cada momento. O brilho das luzes esconde os problemas estruturais e as rotinas asfixiantes de uma sociedade pouco dada à mudança e à superação das desigualdades sociais.

As instituições vão continuar a degradar-se e a ideia de serviço público desvanece. O mal-estar floresce nas polícias, na tropa e o governo, entalado pelo rigor das contas públicas, faz por esquecer! Tem que continuar a deitar dinheiro na Banca, nos interesses corporativos e nos anexos supérfluos que parasitam o Estado e as autarquias. E ninguém parece saber muito bem como fazer crescer o índice do PIB e conjugar as regras da UE e do Euro.

Depois do foguetório do Ano Novo, iremos ver que a carga fiscal aumentou, que as carências continuam e que as vidas das populações periféricas das grandes cidades ou do interior empobrecido vão continuar a subsistir com as mesmas dificuldades.

Não se sabe quanto tempo isto vai durar, nem até quando vai ser possível viver sem uma estratégia global para o desenvolvimento. Contudo, as medidas para atalhar a crise demográfica, aumentar o investimento público, combater o despesismo e proceder a reformas profundas no Estado e no sistema eleitoral vão ser badaladas, como habitualmente, a par da dita recuperação dos rendimentos! Esperemos que não subam os juros da dívida!

A elite política vai entreter-se com a panaceia regionalista, essa nova aurora libertadora dos males que nos afectam, e alegrar as clientelas partidárias com uma nova perspectiva sobre a “Terra Prometida.” O tempo de duração do governo vai permitir algumas apostas, à medida que se esgotam “as causas fracturantes” que encheram os “media” nos últimos anos, alimentando o “politicamente correcto” e o controlo dos modos de estar e de ser.

Tragicamente, uma sociedade marialva e machista vai continuar a discriminar as mulheres e a alimentar a violência passional sobre elas. Quanto ao resto, é de esperar que o desencanto, a desconfiança e o desespero de muitos não se tornem permanentes e corroam a democracia.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Artigo publicado na edição de 2 de janeiro de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)