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Têm-se vindo a multiplicar as notícias sobre um certo mal-estar nas Forças Armadas e no seio das forças policiais e militarizadas. Sucessivos governos têm sido incapazes de atalhar os problemas e de evitar que o descontentamento cresça ou possa comprometer a coesão interna, a eficácia operacional e o prestígio das instituições.

As Forças Armadas (FAs) confrontam-se com uma crescente escassez de pessoal e de meios em relação a muitas das missões que o Estado lhes atribui. O fim do Serviço Militar Obrigatório trouxe uma contínua carência de efectivos e torna-se imperativo o seu regresso por razões operacionais e de cidadania. No Afeganistão a força destacada opera com veículos emprestados pelos EUA e na República Centro Africana os militares carecem de meios aéreos próprios, cuja ausência aumenta os riscos inerentes à missão.

Recorde-se que as FAs são um instrumento de segurança colectiva, de defesa nacional e de representação externa do Estado português, ao serviço da NATO, da UE e da ONU, para além de efectuarem missões de serviço público.

As forças policiais e militarizadas têm vindo a apresentar reivindicações, na generalidade, justas e razoáveis, que já deviam estar resolvidas há muito tempo. Estas forças têm uma missão cada vez mais complexa e fundamental na manutenção da ordem pública, sendo visível que muitos se sentem desencantados e procuram obter uma compensação adequada, bem como o reconhecimento público pela sua função e pelos riscos inerentes.

A frustração interna e profissional conduziu à criação de movimentos inorgânicos e “sem rosto”, que alguns justificam por a “paciência ter chegado ao limite”. Corre-se, ainda, o risco de forças políticas procurarem canalizar o desencanto para atitudes que não fazem parte da imagem institucional nem do respeito público que os membros das forças policiais e militarizadas merecem.

O País precisa de forças policiais bem equipadas, coesas, eficazes e dedicadas ao serviço público e à preservação da segurança colectiva de pessoas e bens. Cabe ao governo responder com celeridade e medidas concretas, susceptíveis de evitarem o mal-estar e de contribuírem para o reforço da dignidade profissional e institucional dos que, todos os dias, garantem os direitos dos cidadãos, a tranquilidade e a segurança dos portugueses.

Escrito de acordo com a antiga ortografia.

(Artigo publicado na edição de 23 de janeiro de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)