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José Vitorino Guerra

Tempo incerto: Um estranho silêncio

Enquanto a abertura à aviação civil da BA5 acalenta o imaginário de alguns dos nossos autarcas, mesmo sem haver transportadoras aéreas interessadas, verifica-se um estranho silêncio em relação aos atrasos na modernização da Linha do Oeste.

redacao@regiaodeleiria.pt

Enquanto a abertura à aviação civil da BA5 acalenta o imaginário de alguns dos nossos autarcas, mesmo sem haver transportadoras aéreas interessadas, verifica-se um estranho silêncio em relação aos atrasos na modernização da Linha do Oeste.

A Linha do Oeste liga a Figueira da Foz a Lisboa e atravessa concelhos com uma forte dinâmica económica e uma elevada concentração populacional. Serve diversas indústrias e une dois portos de mar.

A Linha devia ligar Leiria ao Porto e a Lisboa de forma rápida e eficiente, criando uma alternativa à actual Linha do Norte. A Linha do Oeste tem de ser competitiva em relação ao transporte rodoviário. Leiria devia ser um centro intermodal desse novo eixo ferroviário, dada a sua localização geográfica e importância política e empresarial.

Desde a segunda metade do século XIX que existem projectos para modernizar a Linha do Oeste e proceder à sua ligação directa com a Linha do Norte. Todavia, ao longo do tempo, foi sendo deixada ao abandono, perdeu capacidade de serviço público e quota de mercado no sector dos transportes. Agora, ocupa uma posição meramente residual.

O transporte ferroviário electrificado pode assumir um papel fundamental no combate à poluição atmosférica e ambiental, tendo condições de exploração para ser mais seguro e barato que o rodoviário. Permite transportar um número elevado de passageiros ou de mercadorias e reduzir o consumo de combustíveis fósseis no sistema de transportes e também o ruído.

A modernização prevista para o troço Mira-Sintra/Meleças/ Caldas da Rainha está atrasada e a ligação entre as Caldas e Lisboa passará a ser feita em cerca de 90 minutos. Hoje, o mesmo percurso demora mais de 2 horas e faz-se a uma velocidade média de 45,8km/hora. A modernização vai permitir um aumento das composições em circulação e mais segurança, mas não torna a Linha competitiva com a auto-estrada.

Quanto a Leiria, o futuro é ainda mais incerto. A autarquia não parece mostrar capacidade para mobilizar vontades nem para convencer o governo a proceder à modernização integral da Linha do Oeste e à construção da ligação à Linha do Norte. Leiria precisa de ser o centro de um nó ferroviário e intermodal que sirva a região, reforce as suas potencialidades e lhe permita afirmar-se no todo nacional.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Artigo publicado na edição de 13 de fevereiro de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)