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Funcionários de empresa de Leiria queixam-se de salários em atraso

Dez funcionários da empresa de prestação de serviços educativos MCPola, de Leiria, apresentaram hoje queixa na Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) devido a salários em atraso.

Dez funcionários da empresa de prestação de serviços educativos MCPola, de Leiria, apresentaram hoje queixa na Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) devido a salários em atraso, disse à Agência Lusa um dos trabalhadores.

Filipe Adegas afirmou que “os dez funcionários que apresentaram queixa têm salários em atraso, estão impossibilitados de obter subsídio de desemprego e comunicaram a rescisão do contrato de trabalho por incumprimento da entidade patronal”.

“No meu caso, entrei dia 01 de fevereiro, como técnico de educação, e a empresa está em dívida para comigo em cerca de 1.400 euros, acrescidos dos subsídios”, declarou o funcionário, adiantando que “todos os trabalhadores que se queixaram estão na mesma situação”, embora havendo “oscilações” dos valores em dívida.

Vânia Fonseca, adiantou que desde “julho andava desesperada à procura de emprego”, que encontrou naquela empresa “como auxiliar de educação”.

“Como duas rececionistas se foram embora, acabei por ficar nessa função”, referiu, acrescentando que tem a receber cerca de mil euros, “o salário de dois meses”.

O administrador da MCPola, Carlos Rocha, assegurou que “existe um mês de salário em atraso”, o de fevereiro, esclarecendo que a remuneração pode ser paga até dia 08 do mês subsequente.

Carlos Rocha explicou que a empresa, em laboração desde dia 01 do mês passado, “não recorre a créditos, funcionando unicamente de capitais próprios e do investimento capitalizado”, tendo o fundo de maneio sido usado “para o espaço físico e material”.

“No final desse mês, foi explicado aos trabalhadores que a empresa não tinha condições para pagamento e se entendessem sair, assim que a empresa recebesse, iria pagar”, continuou, atribuindo esta situação ao facto de a MCPola, só a partir de março, “poder candidatar-se a apoios para a criação e manutenção de emprego”, no âmbito da Iniciativa Emprego 2010.

O administrador afiançou que quando os trabalhadores – em situação de desemprego de longa duração ou de primeiro emprego – foram contratados “sabiam a empresa estava à espera destes apoios” e prometeu, assim que a “empresa tiver liquidez”, regularizar a situação.

A situação da MCPola levou o deputado do Bloco de Esquerda eleito pelo Círculo de Leiria a questionar, por intermédio da Assembleia da República, a ACT.

Heitor de Sousa quer saber se esta entidade tem conhecimento das “condições de degradação” em que a empresa funciona e se considera admissível que “ao fim de quase dois meses de actividade” ainda não tenha pago qualquer remuneração.

O administrador da empresa afirmou ser “completamente falso” que as condições de trabalho sejam degradantes.

Já a diretora regional do Centro da ACT, Domitília Gomes, afirmou que foi desencadeada uma averiguação à MCPola.