A Comissão Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres alertou hoje para uma “violenta” descarga poluente, durante a madrugada, na ribeira dos Milagres, concelho de Leiria, tendo já sido avisada a GNR.

“Cerca das 02h00 da manhã havia um cenário como já não via há muito tempo”, disse o porta-voz da comissão, Rui Crespo, explicando que se “tratou de uma descarga muito violenta”.

Rui Crespo adiantou que “não se via água, estava tudo coberto de espuma” e, embora “o cheiro não fosse muito intenso”, não tem “dúvidas nenhumas” de que se tratou de descarga de efluentes suinícolas.

O responsável, que comunicou à GNR a situação, adiantou que pelas 09h00 “os vestígios da descarga são perfeitamente visíveis”. “A água não está clara e ainda há espuma”, declarou, acrescentando que a ribeira dos Milagres, um afluente do rio Lis que desagua na Praia da Vieira, tem sido alvo de “algumas descargas, mas não da dimensão desta”.

Rui Crespo sublinhou que se mantém a “estratégia” nas descargas: “À noite, aos fim-de-semana e quando há alguma previsão de chuva”.

O porta-voz da comissão criticou também a impunidade dos infractores. “As autoridades sabem que há incumprimentos de regras, de procedimentos, e tudo continua a funcionar”.

Rui Crespo admitiu igualmente estar céptico quanto à construção da Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ETES), investimento que deverá resolver o problema das descargas na ribeira dos Milagres. Considerando que tem sido feito “um esforço para retardar” esta obra, Rui Crespo disse temer que “a situação económica do país venha agora justificar o seu adiamento”.

A ETES, projectada para a freguesia de Amor, no concelho de Leiria, tem um custo previsto de 18 milhões de euros. Vai ter capacidade para tratar, diariamente, dois mil metros cúbicos de efluentes de suiniculturas e de outras explorações agropecuárias dos concelhos de Leiria, Batalha e Porto de Mós.