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Sociedade

Associação de Defesa da Nazaré diz que privatização da água é ruinosa

A Associação de Defesa da Nazaré acusou hoje a câmara de conduzir os munícipes para uma situação “ruinosa” ao pretender concessionar a privados a gestão da água e saneamento, mas a autarquia diz que há vantagens na concessão.

A Associação de Defesa da Nazaré acusou hoje a câmara de conduzir os munícipes para uma situação “ruinosa” ao pretender concessionar a privados a gestão da água e saneamento, mas a autarquia diz que há vantagens na concessão.

A associação refere em comunicado que o executivo municipal liderado por Jorge Barroso pretende “empurrar a população para uma solução ruinosa, hipotecando o interesse público por um longo período de 30 anos”.

A acusação tem por base a intenção anunciada em outubro do ano passado pela Câmara da Nazaré de concessionar à iniciativa privada a gestão do sistema de abastecimento de água e saneamento do concelho.

No comunicado, a ADN manifesta oposição à concessão do sistema, sustentando as suas “reservas” com exemplos de privatização noutros pontos do país.

Faro, Barcelos, Marco de Canaveses, Cartaxo, Covilhã e Campo Maior são alguns dos exemplos apontados pela associação como concelhos onde “os parceiros privados têm lucro certo” e o município e os consumidores “ficam com os prejuízos e um serviço de menor qualidade”.

Nesse sentido afirma que a concessão da água levará ao “aumento dos tarifários, à diminuição da qualidade do serviço prestado e a lucros ‘chorudos’ da empresa privada”.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara, Jorge Barroso (PSD) recusou comentar as críticas da associação, mas reafirmou estar convencido de que “esta é a solução mais vantajosa para o concelho“, sublinhando que no contrato de concessão irá constar “a garantia de manutenção de um tarifário com preços médios em relação aos praticados na região”.

A proposta de concessão dos serviços é sustentada por um estudo de viabilidade económica e financeira, que aponta a concessão como “o modelo de gestão que melhor serve os interesses” do município.

O documento a que a Lusa teve acesso sublinha como vantagens, entre outras, a diminuição dos custos de exploração, a cedência à autarquia de todos os bens afetos à concessão (no final do contrato de 30 anos) e a responsabilidade da empresa vencedora do concurso em financiar todos os investimentos que vierem a ser efetuados durante esse período.

Segundo Jorge Barroso, o contrato estipulará que “os aumentos da água não poderão ultrapassar um a dois por cento nos próximos cinco anos”, e quais “os investimentos a fazer nos primeiros cinco anos”, ficando em aberto, apenas, “a renda que será paga ao município”, que dependerá das propostas concorrentes.

Lusa