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Basquetebol

Um olhar pelo desporto: João Ribeiro analisa os melhores, os piores e as surpresas no basquetebol

João Ribeiro é treinador de basquetebol e diretor técnico da Associação de Basquetebol de Leiria. Aceitou o desafio do REGIÃO DE LEIRIA para responder a algumas questões sobre basquetebol

João Ribeiro é treinador de basquetebol e diretor técnico da Associação de Basquetebol de Leiria. Aceitou o desafio do REGIÃO DE LEIRIA para responder a algumas questões sobre basquetebol.

REGIÃO DE LEIRIA – Que acontecimento desportivo, envolvendo equipas ou atletas da região, destaca em 2012?
JOÃO RIBEIRO – Não descurando o facto de todos os clubes filiados na Associação de Basquetebol de Leiria terem participado dignamente nas provas em que estiveram envolvidos, quer a nível distrital, interassociativo ou de âmbito nacional, eu destacaria a honrosa representação da AB Leiria na Festa do Basquetebol Juvenil. Sendo talvez o maior evento do desporto infanto-juvenil português, esta festa juntou, em Albufeira, no período da Páscoa, jogadores de todas associações do continente e ilhas, em representação das respectivas seleções regionais, para a disputa dos Campeonatos de Portugal.

Até à paragem dos campeonatos no Natal, qual foi a equipa da região que se apresentou como a maior surpresa?
No escalão sénior, destacaria o Sporting Clube Marinhense. Em primeiro lugar porque é, atualmente, a nossa única equipa deste escalão a participar em competições nacionais. Em segundo lugar, porque, mesmo em tempo de crise, reuniu condições para construir um plantel constituído por jogadores de várias zonas do distrito. Em terceiro lugar, porque neste momento lidera a classificação da Zona Centro do Campeonato Nacional 2.

Quem é o atleta/equipa revelação nos campeonatos seniores?
João Grosso, atualmente a jogar em Espanha, representa a aposta que o IEJOTA, clube apenas dedicado aos escalões de formação e sedeado na vila do Juncal, Porto de Mós, tem feito na tentativa de formar bons atletas seniores. Internacional nas seleções nacionais jovens, o João abraçou a continuidade da sua carreira aceitando o convite para integrar equipa espanhola. Sendo Espanha uma potência na modalidade, creio ser meritório o reconhecimento deste percurso desportivo.

E na formação? Quem aprendeu melhor a lição até agora?
Reforço o facto de todos os clubes terem a lição bem estudada quanto às prioridades dos seus projetos: aumentar a sua base de praticantes através do fomento e dinamização do minibasquete e melhorar a qualidade dos seus treinadores. Desta forma, os clubes da região poderão aumentar a probabilidade de os seus atletas se desenvolverem enquanto desportistas e seres humanos e fortalecerem as respetivas equipas nos diferentes escalões com mais e melhores praticantes.

Quem se destacou pela positiva? Que nota de 0 a 20 lhe daria?
Eu daria nota 20 ao facto de o concelho de Leiria, neste momento, ter quatro clubes de basquetebol que abrangem uma área de intervenção alargada. O Basket Clube do Lis a norte, o Clube Basquetebol de Leiria e o Núcleo Sportinguista na cidade propriamente dita e o CRD Soutocico a sul do concelho. Daria igualmente nota 20 ao Núcleo de Pombal por manter viva a sua tradição no basquetebol feminino a nível nacional. Daria nota 20 à representatividade dos clubes mais a sul do distrito. O clube Os Pimpões, por exemplo, tem grandes probabilidades de participar em provas nacionais e inter-regionais em quase todos os escalões de formação; o IEJOTA, continua a primar por proporcionar boas condições de trabalho aos seus atletas com potencial para a modalidade; e o Clube Stella Maris, que entendeu prescindir de recursos para sua equipa sénior a fim revitalizar a formação, sendo atualmente dos clubes com mais atletas no escalão de minibasquete.

Quem se destacou pela negativa? Porquê? Que nota de 0 a 20 lhe daria?
Pela negativa destacaria  as circunstâncias em que se encontra o nosso país, que têm provocado um forte abanão no desporto nacional em geral e no basquetebol português em particular, ao ponto de, a nível nacional, terem desaparecido equipas de referência na Liga Portuguesa: FC Porto e o Barreirense.
Também a nível distrital a crise provocou danos, expressos na diminuição do número de equipas seniores, destacando-se o fim do projeto sénior masculino do Gaeirense (Óbidos) por falta de apoios financeiros. Destacaria igualmente pela negativa o facto de continuar a não ser possível, por falta de apoios financeiros, existir um projeto sénior feminino no nosso distrito. O último clube com equipa sénior feminino foi o Núcleo de Pombal e o último clube da região a militar na I divisão feminina foi o Instituto D. João V, em 2005/2006, tendo inclusive ganho título nacional no seu último ano de existência.

Chegar a esta altura do campeonato em primeiro lugar é um bom presságio para o resto da época ou ainda é preciso correr muito atrás da bola?
Creio que, para uma equipa sénior, como é o caso do Sporting Clube Marinhense, constitui uma enorme motivação e sinal de que poderá ser possível alcançar a fase seguinte da prova, alimentando o sonho de poder eventualmente ser um candidato aos primeiros lugares e à subida de divisão. No nosso distrito, para uma equipa de formação, poderá ser um bom presságio para aumentar as probabilidades da mesma vir a participar em competições de âmbito nacional e com isso proporcionar aos seus atletas continuidade no seu processo de formação, num grau de dificuldade maior. Títulos nacionais poderão ser possíveis mas de prematura previsão neste momento.

Quem é um sério candidato ao título nos campeonatos distritais? E nos nacionais? 
Nos escalões de sub-18 masculinos destacaria o IEJOTA e o SIR Os Pimpões como sérios candidatos ao título distrital. Já no setor feminino, o título distrital de sub-19 sairá da Fase Final entre o SIR Os Pimpões, Núcleo de Pombal, Basket Clube do Lis e CRD Soutocico. Apesar do SIR OS Pimpões ter garantido o primeiro lugar na fase regular, poderão existir algumas surpresas na fase final.
No escalão de sub-16 masculinos, a incerteza e o equilíbrio têm coexistido entre as quatro equipas finalistas- Sporting Clube Marinhense, IEJOTA, Pimpões e o Clube Basquetebol de Leiria. No sector feminino, a regularidade do Núcleo de Pombal parece aumentar o seu favoritismo.
A nível nacional, parece-me prematuro antever essas conquistas. Porém, temos constatado que nas últimas épocas tem sido possível a equipas dos distrito, com destaque para o IEJOTA e o Núcleo de Pombal, haver representatividade da região de Leiria em fases finais de provas nacionais. O nosso desejo é que essa representatividade se mantenha, independentemente do clube, mas valorizando a modalidade na nossa região.

Se tivesse que fazer uma aposta que lhe valesse algum lucro, em quem depositaria as suas economias em 2013?
Aposto essencialmente na viabilidade e no desenvolvimento do basquetebol em Portugal e, particularmente, na nossa região. Em 2013, continuarei essa aposta, não com as minhas economias mas com o meu contributo dentro das minhas responsabilidades na modalidade.

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