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Cantinho dos Bichos

Há vida nova no rio Lis (fotogaleria)

Durante o percurso “(Re)Conhecer Leiria”, a comitiva de meia centena de pessoas partiu à descoberta dos habitantes do rio e encontrou novos e aparentemente felizes “condóminos”

Milhafre preto, andorinha-das-rochas e garça noturna (ou goraz) nunca tinham sido vistos nas imediações do rio Lis. Até sábado.

Os lagostins do Jardim Santo Agostinho são um dos habitantes (indesejados) do Lis

Durante o percurso “(Re)Conhecer Leiria”, a comitiva de meia centena de pessoas que partiu à descoberta dos habitantes do rio, encontrou os novos e aparentemente felizes “condóminos”. Uma surpresa e um bom sinal do estado do rio, explica Luís Ferreira, da associação Oikos: “Está com melhor saúde do que antes, é notório. É uma evolução, muito por sensibilização das pessoas e das entidades” e, também, porque as aves estão a ganhar à-vontade.

“O goraz, por exemplo, tem sido visto em Tomar e Torres Novas. Essa espécie, e outras, tem-se vindo a habituar a nós”.

Luís sabe do que fala. No início do percurso deu espetáculo, identificando – quase apenas de ouvido – dezenas de aves na colina do Castelo. “Em Leiria há condições para haver uma grande biodiversidade. Além do Castelo, há as casas-pátio na zona histórica, que propiciam uma grande diversidade. A arquitetura moderna e pós-moderna negligencia esse facto”.

Também em meio aquático há muita e rica vida, nota José António Gaspar. “Com tantas notícias e observações sobre poluição, pensei que o rio estivesse morto. Foi uma surpresa verificar que há uma quantidade e variedade enorme de peixes, anfíbios e insetos”, explicou o especialista da Quercus.

Claro que o Lis não é perfeito. “Há uma diferença grande na qualidade da água entre S. Romão e depois do rio atravessar a cidade. Até S. Romão a água está completamente limpa, dentro da cidade já nem tanto. Ainda há alguns problemas. Mas está melhor do que há 10 anos”.

Para as melhorias verificadas, o Polis foi uma grande ajuda. Ambos os especialistas concordam que, estando o Lis mais acessível, população e opinião pública conhecem-no melhor e preocupam-se com o seu estado. Luís Ferreira aponta “troços em que o rio está perfeitamente preservado”, mas “há outras aspetos negativos que podem ser corrigidos. E as pessoas querem sempre mais e melhor”.

Manuel Leiria
 
manuel.leiria@regiaodeleiria.pt

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