E se lhe oferecessem uns cookies de tenébrios para sobremesa? Uns gafanhotos e grilos com chocolate temperado com pimenta para aconchegar o estômago? Ou zophobas fritas picantes para abrir o apetite?

IMG_6962Receitas de chorar por mais a fazer fé nos estudantes do curso de Restauração e Catering da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) Peniche, do Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), envolvidos num projeto visionário em que os insetos são o principal ingrediente.

“Este conceito veio para ficar, apesar de existirem muitas pessoas que nem gostam de ouvir falar no assunto”, explica Patrícia Borges, docente da ESTM Peniche e mentora do projeto, convicta de que a recetividade vai aumentar e que, no futuro, surgirão mais projetos de outras instituições do ensino superior, escolas e indústria alimentar.

Com elevados níveis de proteína, gorduras insaturadas e minerais, que podem combater a obesidade, os insetos podem ser introduzidos na alimentação humana como a carne e o peixe. Ao nível ambiental produzem poucos gases com efeitos de estufa, sendo a sua produção muito menos dispendiosa do que a do gado, argumentam os defensores desta nova “tendência culinária”.

“Recordando as estimativas da Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), que preveem que o mundo em 2050 terá cerca de 9 mil milhões de habitantes e que a produção animal não será suficiente para alimentar toda a população, é bom que comecemos a encarar o consumo de insetos como algo de normal e não como uma tendência gastronómica passageira”, alerta ainda Patrícia Borges, adiantando que a ESTM Peniche tem em laboratório mais receitas.

(Notícia publicada na edição de 19 de dezembro de 2013)