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Cultura

A Porta. A vida de Leiria passa por este festival

Outubro de 2014 traz um novo festival a Leiria. A Porta quer destrancar zonas esquecidas da cidade. A chave é cultura
para todos os gostos.

O fotógrafo Ricardo Graça abre a porta de casa para servir comida portuguesa e música de António Cova. A chapelaria Liz abre a porta para o espetáculo de sapateado de Adriana Jaulino. A loja Garagem abre o “portão” para o set da dj Ana Monteiro. A pastelaria Luziclara abre portas à instalação de Maria José Correia.

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Sara Damásio e Guilherme Garrido, dois dos organizadores de um festival que quer abrir portas em Leiria (fotografia: Joaquim Dâmaso)

Até ao final, este texto podia continuar a falar das muitas portas que se abrem para o festival A Porta, de 1 a 5 de outubro. Mas é melhor tentar perceber o que se vai passar em Leiria nesta iniciativa que quer mexer na cidade e com a cidade, lançando ideias sobre a utilização de locais outrora nobres de Leiria. Mas, sobretudo, vivê-los.

Só no sábado, 4 de outubro, há quase meia centena de iniciativas na rua Direita. “É uma manta de retalhos”, reconhece Guilherme Garrido, performer natural de Leiria, que regressa após alguns anos com esta ideia que lançou a diversas pessoas e associações.

O resultado é “um festival que vai a várias áreas de ação e é para vários públicos, de miúdos a graúdos” e que tem o nome que tem porque “vamos abrir as portas das nossas casas e as portas das lojas que estão fechadas”.

O festival começa dia 1 de outubro em registo intimista, com jantares, em que estranhos entram na casa de um estranho.

“Havia o risco das pessoas não aderirem. Por isso reduzimos a quatro casas. Mas há um jantar esgotado e os outros estão quase. Se tivéssemos 20 casas, havia muita adesão também. Queremos continuar este quebrar de barreiras”, acrescenta Sara Damásio, igualmente envolvida na organização.

Uma Porta nos quintais

O festival também vai para a rua abrir portas. “Queremos refletir sobre as zonas nobres da cidade que, por questões urbanísticas ou pela construção de centros comerciais, abalaram as estruturas fundamentais da cidade, do negócio e da identidade leiriense”, diz Guilherme Garrido.

Daí a rua Direita: “Descentralizar Leiria atualmente é sair da Praça Rodrigues Lobo. É incrível, mas a Fonte Luminosa ou a rua Direita já são periferia”.

A Porta quer combater isso, ocupando massivamente a zona para criar “uma movimentação com o que estamos a criar e também naquilo que já existe. Era bom que a Luziclara vendesse milhões de brisas do Lis naquele dia!”. O parque da cidade é outra zona esquecida que A Porta quer abrir, num piquenique versátil no fim da festa.

Contudo, nem todas as portas são fáceis de passar. A organização lançou o convite a associações de Leiria para colaborar: só a Preguiça Magazine aceitou. “Algumas desligaram e não disseram nada, outras estavam ocupadas”, lembra Guilherme Garrido, que pediu, antes de tudo, que lhe explicassem o cenário associativo de Leiria.

“Disseram-me que quase toda a gente se dá bem, mas quase ninguém colabora. Está tudo no seu quintal”. A Porta confirmou isso. “A título pessoal, respeito isso, mas estou um bocado triste e desiludido com a falta de disponibilidade. Sou apologista do ‘um por todos e todos por um’ para fazermos mais e melhor. Talvez num próximo festival”.

Haverá outras edições de A Porta? “Se se fechar uma porta, abre-se uma janela” [risos]. Para já, a prioridade é outra: “Pelo que oiço, às vezes é mais fácil conquistar o público de fora do que o de Leiria. Vamos ver como corre”.

Programa

Manuel Leiria
manuel.leiria@regiaodeleiria.pt

(Notícia publicada na edição de 25 de setembro de 2014)

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