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Sociedade

Atentado em Barcelona: “Ninguém está preparado para sair à rua e ouvir gritos”

Uma carrinha atropelou, na tarde desta quinta-feira, várias pessoas no centro de Barcelona. O autoproclamado Estado Islâmico já reivindicou o atentado. Ana Rita Portugal, jovem trabalhadora e estudante de jornalismo, natural de Leiria, a viver há escassos meses em Barcelona, deixa o relato de como foram os momentos subsequentes ao ataque terrorista.

Uma carrinha atropelou, na tarde desta quinta-feira, várias pessoas no centro de Barcelona. O autoproclamado Estado Islâmico já reivindicou o atentado.

Ana Rita Portugal, jovem trabalhadora e estudante de jornalismo, natural de Leiria, a viver há escassos meses em Barcelona, deixa o relato de como foram os momentos subsequentes ao ataque terrorista que, esta tarde, na zona das Ramblas (na foto) na capital da Catalunha, provocou pelo menos 13 mortos e cerca de uma centena de feridos:

“Estava na empresa quando, por volta das 17h20, ouvi colegas a falar de uma carrinha que, alegadamente, teria ferido algumas pessoas. Julguei tratar-se de um pequeno acidente – um despiste, talvez – e só passado alguns minutos nos apercebemos do ataque. Os meios de comunicação locais já assinalavam como “terrorismo” o que se tinha passado, antes mesmo de nos inteirarmos da realidade. Seguimos o twitter da polícia ao minuto, já choviam telefonemas e mensagens de amigos preocupados e, nos jornais online, a atualização sobre o número de feridos e a notícia das duas mortes – que rapidamente passaram a 13 – foi recebida com o medo e angústia próprio de quem já não se sente a salvo. Rapidamente soubemos também de um restaurante onde eram mantidos reféns. Naquelas horas, o terror aumentava com a certeza de que o atacante continuava à solta.

Juntar a Praça da Catalunha, no mês de agosto, com a invasão massificada de turistas de todos os pontos do globo, resulta num cocktail perigoso. O calor que se sente nas ruas é inebriante, e torna-se quase impossível movimentarmo-nos nas Ramblas com o entra e sai de pessoas do metro e a afluência de turistas às lojas e principais acessos da cidade. O local do atentado foi previsivelmente escolhido, mas, por muito que o seja, ninguém está preparado para sair à rua e ouvir gritos, ver sangue e pessoas a fugir de um local outrora destinado ao lazer e a passeios tardios.

As principais linhas de metro foram imediatamente cortadas, fala-se que um dos atacantes foi já executado, mas, aparentemente, dois continuam em fuga e sinto que a cidade congelou de pânico. Quem habita no centro receia o regresso a casa e, os que arriscam, deparam-se com o clima de terror, as correrias e a azáfama nas principais estações de comboio e de metro, onde alertas de segurança são dados pelas autoridades.

Barcelona era uma cidade segura sem o ser. O seu excesso de população e consolidação como destino turístico e cultural de referência, os fáceis acessos e o enorme porto são um convite aliciante a ataques semelhantes aos que recentemente assistimos noutros destinos europeus como Paris, Berlim, Nice e Londres. Hoje, o que mais receava acabou por acontecer sem motivo nem aviso prévio. O país está de luto e, embora o mais cruel e imperdoável ato tenha decorrido naquelas ruas, continua a ser difícil associar o conceito de terrorismo à nossa segunda casa.”

Uma carrinha atropelou, na tarde desta quinta-feira, várias pessoas no centro de Barcelona. O autoproclamado Estado Islâmico já reivindicou o atentado.

Ana Rita Portugal, jovem trabalhadora e estudante de jornalismo, natural de Leiria, a viver há escassos meses em Barcelona, deixa o relato de como foram os momentos subsequentes ao ataque terrorista que, esta tarde, na zona das Ramblas (na foto) na capital da Catalunha, provocou pelo menos 13 mortos e cerca de uma centena de feridos:

“Estava na empresa quando, por volta das 17h20, ouvi colegas a falar de uma carrinha que, alegadamente, teria ferido algumas pessoas. Julguei tratar-se de um pequeno acidente – um despiste, talvez – e só passado alguns minutos nos apercebemos do ataque. Os meios de comunicação locais já assinalavam como “terrorismo” o que se tinha passado, antes mesmo de nos inteirarmos da realidade. Seguimos o twitter da polícia ao minuto, já choviam telefonemas e mensagens de amigos preocupados e, nos jornais online, a atualização sobre o número de feridos e a notícia das duas mortes – que rapidamente passaram a 13 – foi recebida com o medo e angústia próprio de quem já não se sente a salvo. Rapidamente soubemos também de um restaurante onde eram mantidos reféns. Naquelas horas, o terror aumentava com a certeza de que o atacante continuava à solta.

Juntar a Praça da Catalunha, no mês de agosto, com a invasão massificada de turistas de todos os pontos do globo, resulta num cocktail perigoso. O calor que se sente nas ruas é inebriante, e torna-se quase impossível movimentarmo-nos nas Ramblas com o entra e sai de pessoas do metro e a afluência de turistas às lojas e principais acessos da cidade. O local do atentado foi previsivelmente escolhido, mas, por muito que o seja, ninguém está preparado para sair à rua e ouvir gritos, ver sangue e pessoas a fugir de um local outrora destinado ao lazer e a passeios tardios.

As principais linhas de metro foram imediatamente cortadas, fala-se que um dos atacantes foi já executado, mas, aparentemente, dois continuam em fuga e sinto que a cidade congelou de pânico. Quem habita no centro receia o regresso a casa e, os que arriscam, deparam-se com o clima de terror, as correrias e a azáfama nas principais estações de comboio e de metro, onde alertas de segurança são dados pelas autoridades.

Barcelona era uma cidade segura sem o ser. O seu excesso de população e consolidação como destino turístico e cultural de referência, os fáceis acessos e o enorme porto são um convite aliciante a ataques semelhantes aos que recentemente assistimos noutros destinos europeus como Paris, Berlim, Nice e Londres. Hoje, o que mais receava acabou por acontecer sem motivo nem aviso prévio. O país está de luto e, embora o mais cruel e imperdoável ato tenha decorrido naquelas ruas, continua a ser difícil associar o conceito de terrorismo à nossa segunda casa.”


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