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Barreiras de betão junto ao Mosteiro da Batalha geram polémica

Barreiras de betão começaram a ser instaladas junto ao monumento gerando contestação Foto: Facebook/Manuel Monteiro

As obras de implementação da barreira acústica de proteção ao Mosteiro da Batalha, atualmente em curso na parte frontal do monumento junto à EN1, estão a ser alvo de diversas críticas. Dona da obra, a Câmara local garante que medida é essencial para proteger o monumento. 

Nas últimas semanas, junto ao Mosteiro, começaram a surgir diversos separadores em betão, gerando a incompreensão em torno da intervenção. “Que entidades intervieram no projeto para permitir este absurdo?”, questionou hoje Rui Marto, vereador do PS na Câmara de Porto de Mós, numa publicação na rede social Facebook. “Que se tem que proteger o monumento ninguém dúvida, mas a este preço?”, reforçou.

Este comentário é apenas um entre vários de utilizadores daquela rede social. “Lamentável”, “feio” e “aberração”, são apenas algumas das qualificações que se têm multiplicado, havendo quem ironize que a obra faz lembrar o muro projetado pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Ao REGIÃO DE LEIRIA, Paulo Batista Santos, presidente da Câmara da Batalha, refere compreender “perfeitamente as reações e até alguma incompreensão”, razão pela qual o município tem já agendadas sessões abertas para “divulgação e esclarecimento” sobre esta obra “numa zona sensível”. A primeira dessas sessões deverá decorrer dia 22.

O autarca sublinha, contudo, a urgência de uma intervenção que pretende salvaguardar a integridade do monumento, sendo que a obra não se esgota na colocação das barreiras em betão.

A obra deverá ser concluída em fevereiro e “será bem mais agradável, contará com muita vegetação e terá uma componente transparente para que quem passa na estrada continue a poder apreciar o monumento”, garante.

“É importante que se compreenda que se trata de um projeto de requalificação mais amplo que não se esgota nas barreiras e que inclui uma ecopista, a melhoria da zona frontal do Mosteiro e tem uma componente decisiva de proteção do monumento”, acrescenta.  

 

Projeção sobre situação final da barreira acústica  Foto: CMB

Paulo Batista Santos sublinha que o impacto negativo da passagem do trânsito junto ao Mosteiro já foi várias vezes sinalizado pela UNESCO. E frisa: “há detalhes na componente gótica e manuelina do Mosteiro que estão a cair”. “Temos o dever de preservar o Mosteiro”, reforça.

Eliminar portagens na A19

O cenário de proporcionar a circulação a título gratuito na A19 (autoestrada paralela ao IC2 que liga Porto de Mós a Leiria) é uma alternativa amplamente proposta para resolver o problema do impacto do trânsito junto ao Mosteiro. É o caso de Rui Marto, o vereador de Porto de Mós que questiona se “não seria mais eficiente resolver o problema com a gratuitidade da A19 e proibição do trânsito a certo tipo de veículos”.

Paulo Batista Santos adianta que essa é uma questão que tem sido colocada há vários anos junto de vários governos, incluindo o atual. “Estamos empenhados em levar a questão ao mais alto nível”, mas o Governo mantém “que existe uma concessão que prevê portagens e isso só seria possível com a extinção da concessão ou com o Orçamento do Estado a repor o valor das portagens”, explica. O autarca da Batalha refere que esta é uma questão que não é de fácil resolução. “Não é fácil que isso aconteça e até lá temos de proteger o Mosteiro”.

O presidente da Câmara da Batalha, eleito pelo PSD, adianta não compreender a questão da gratuitidade das portagens levantada por um responsável socialista, atendendo que “as portagens na A19 foram decididas no tempo do Governo de José Sócrates”. “Não fomos nós que pedimos as portagens, sempre reclamámos uma variante”, reforça. 

Esta intervenção, da responsabilidade da Câmara da Batalha, ronda os 577 mil euros, contando com uma comparticipação comunitária de 485 mil euros. O projeto foi concebido em colaboração com a Direção Geral do Património Cultural e as Infraestruturas de Portugal “e obteve quase a nota máxima por parte do Centro 2020”, frisa o autarca batalhense.

Notícia atualizada às 17h36 com a publicação de imagem de projeção final do impacto da obra

Carlos S. Almeida
Jornalista
carlos.almeida@regiaodeleiria.pt

2 Comentários

  1. João Rodrigues Santos

    Não deixa de ser estranho. Não haver comentários sobre este assunto. Eu tentei….

    Responder
  2. João Rodrigues santos

    O que está a ser construído em frente ao Mosteiro da Batalha é um atentado à inteligência de qualquer cidadão. O objetivo seria proteger o Mosteiro do ruído, quando todos nós sabemos que os veículos vão continuar a passar no IC 2, a trepidação vai continuar a fazer sentir-se e os gases dos escapes vão continuar a “subir” na atmosfera, para depois caírem em forma de chuvas ácidas sobre o monumento.
    Talvez a próxima ideia peregrina do Senhor presidente da Câmara da Batalha seja um coberto vegetal no telhado do mosteiro. O efeito prático desta “pseudo proteção sonora” é esconder o Mosteiro dos “passantes” do IC 2, com um muro que mais parece um que existiu em Berlim.
    Esperava-se mais de um ex-deputado, mas afinal o “regresso à terra” está a ficar comprometido.
    Lutar pelo fim das portagens abjetas do IC 29 dava muito trabalho. Então vai lá um “murito saloio”. Uma tristeza.

    Responder

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