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Lembra-se da loja dos plásticos?

Sempre que passa no largo das Forças Armadas, em Leiria, Adelina Vieira pensa na loja que ali manteve com o marido, Joaquim Vieira, durante cerca de 50 anos. A Plastilar abriu no início da década de 60 e era reflexo de uma indústria de plásticos pujante na região. A D. Lina – assim a tratavam as freguesas – conta que, no seu estabelecimento, se vendiam exclusivamente artigos de plástico, mas numa variedade imensa. “Era novidade e havia de tudo: flores, passadeiras, pavimentos para o chão, toalhas de mesa, caixas, banheiras, penicos, tampos para sanita, era uma loucura”.

Os brinquedos eram um dos grandes atrativos da casa e faziam as delícias das crianças. O tempo das grandes superfícies ainda estava longe e na cidade não abundavam lojas com este género de artigos. No Natal, “havia uma enchente brutal”, recorda Joaquim Vieira, filho dos proprietários. A família acorria à loja para dar vazão a tanta procura, porque “havia sempre um brinquedo ou uma utilidade que preenchia a necessidade de qualquer um”.

Outro artigo muito procurado era o saco de plástico, com e sem asa, que a loja vendia a peso inclusivamente para estabelecimentos comerciais. E se hoje as listas de casamento se fazem nas lojas de porcelana e decoração, nas décadas de 60 e 70, era na loja dos plásticos que as noivas completavam o seu enxoval, sobretudo as que residiam nas aldeias em torno de Leiria.

Joaquim Vieira destaca o conceito original e singular da loja na cidade: “Era um comércio de coisas pequenas e baratas, e daí a razão de atrair muita gente que, por exemplo, vinha ao mercado, quer para vender quer para comprar”. A casa tirava ainda partido do facto de se situar perto da estação de camionagem, “captando muitos dos passageiros que transitavam nas imediações”, refere.

“Foi um sucesso, porque os plásticos tinham muito valor e havia uma data de fábricas”, recorda Adelina Vieira. O seu principal fornecedor era a indústria da região, mas também algumas fábricas de Lisboa. A filha Ana Vieira salienta o espírito empreendedor do pai. “Tudo o que havia de plásticos no país, ele tinha de ter ali” e, quando se deslocava a feiras internacionais, trazia artigos que entregava nas fábricas de moldes da Marinha Grande para estas reproduzirem.

Adelina Vieira não se recorda do artigo mais caro que vendia na Plastilar, mas lembra-se do dia em que uma cliente trouxe 20 mil escudos para ali comprar o enxoval, “era muito dinheiro”. No geral, as peças eram baratas, mas os preços não encontram paralelo nos dias de hoje. “Nos anos 60, um dia em que entrassem mil escudos (5 euros) em caixa era considerado muito proveitoso, refere Joaquim Vieira.

A Plastilar encerrou em 2013. “Tive pena quando fechei a loja”, confessa Adelina Vieira. A filha confirma que não foi fácil convencer os pais a pôr termo ao negócio. Mas não havia alternativa: “apareceram as grandes superfícies e a loja foi entrando em decadência”.  

Depois de acolher a Plastilar, os números 1 e 2 do largo das Forças Armadas estiveram ocupados com uma loja de decoração e hoje são a Quinta Animal. Na memória de muitos, aquele espaço permanece ocupado com uma loja que, sem montra, fazia da parede exterior o seu mostruário.

“Era muito engraçada aquela loja, mas tudo tem o seu tempo”, lamenta Adelina Vieira.

Artigo publicado na revista Moldes e Plásticos 2018, distribuída com o REGIÃO DE LEIRIA de 25 de janeiro de 2018 

Patrícia Duarte
Jornalista
patricia.duarte@regiaodeleiria.pt

A Plastilar era mais conhecida como loja dos plásticos Foto: Fernando Rodrigues

Adelina Vieira conta que lhe custou muito fechar a loja Foto: Joaquim Dâmaso

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