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Extramuralhas. O festival desce à cidade para surpreender Leiria

Pela primeira vez fora do Castelo de Leiria, o festival Entremuralhas transforma-se em Extramuralhas e explora, a partir desta quinta-feira, dia 23 de agosto, e até sábado, dia 25, um novo território na cidade.

“Pelas reações prévias que recebemos desde que anunciámos este novo figurino, há oito meses, tudo indica que a nona edição do festival gótico, à semelhança das anteriores, vai ser também um sucesso em termos de afluência de público, já que a qualidade da programação musical, de elevada bitola, está há muito assegurada”, afirma Carlos Matos, presidente da Associação Fade In.

Current 93, Ulver e Heilung são destaques numa programação “cuidadosamente escolhida” para que Leiria tenha “a oportunidade de assistir a concertos incríveis com alguns dos maiores nomes de culto mundiais”.

Jardim Luís de Camões (onde a entrada será gratuita), Teatro José Lúcio da Silva, Museu de Leiria e Stereogun são os quatro espaços da cidade que recebem o Extramuralhas, uma mudança que será “um marco”, sublinha Carlos Matos:

“Vai permitir às pessoas que nunca foram às edições que aconteceram no Castelo poderem usufruir, de forma gratuita, a um pouco do espírito do festival e verem algumas das bandas que o caracterizam”.

Um exemplo de perseverança

Para Ricardo Ribeiro, frequentador do Entremuralhas, a realização do festival fora do Castelo, em virtude das obras programadas para o monumento, não compromete o espírito de sempre. “A organização está a trabalhar muito nesse sentido, em tornar Leiria na capital do gótico durante o festival”.

Também Pedro Trindade Ferreira, igualmente espectador habitual do festival organizado pela associação Fade In, acredita que a mudança não põe em causa o “fio condutor” e a “qualidade das edições anteriores”.

“Mas não posso deixar de notar que o episódio em torno da mudança dos locais dos concertos constitui um sinal muito preocupante da Câmara de Leiria”. Para o arquiteto urbanista leiriense, há 20 anos a viver em Lisboa, o episódio é “um sinal que é agravado no atual contexto de candidatura a Capital Europeia da Cultura”, porque revela, “paradoxalmente, uma incompreensão e desvalorização dos fenómenos culturais”.

Totalista deste a primeira edição, Neuza Lopes acredita que esta não será uma edição diferente por acontecer fora do Castelo:

“O nascimento do Extramuralhas é só mais um exemplo da perseverança da equipa Fade In, que apesar de todos os obstáculos que foi encontrando ao longo dos anos nunca desistiu e, de uma maneira mais ou menos convencional, sempre nos brindou com soluções brilhantes”. Este ano, garante, “não será excepção”.

Esta é, contudo, uma mudança circunstancial, enquanto decorrerem as obras no monumento que define a mística associada ao festival criado pela Fade In. Em 2020, concluída a requalificação, o festival voltará a ser Entremuralhas, espera a organização.

“Nada justifica tamanha tacanhez”

O episódio que Pedro Trindade Ferreira fala marca a edição de 2018 antes mesmo de começar. 

Com programa definido há algum tempo, a poucos dias do início do festival os concertos do alemão Christian Wolz e dos franceses Rïcïnn foram transferidos da Igreja da Misericórdia para o Museu de Leiria. O motivo foi a contestação, por entidades religiosas e por vereadores da oposição (PSD) à utilização daquele espaço, dessacralizado e transformado em Centro de Diálogo Intercultural, para uma residência artística de alunos da Escola Superior de Dança em abril deste ano noutro festival, o Metadança.

Em comunicado, a autarquia de Leiria justificou a alteração dos concertos do Extramuralhas com “a recente polémica gerada em torno da utilização deste espaço dessacralizado para um espetáculo de dança”, decisão contestada pela associação Fade In.

“Pela Fade In nunca mudaríamos de lugar, não temos nada a temer, nem nos preocupam as polémicas. Nunca desrespeitámos ninguém e assim continuará a ser. Mas a Câmara Municipal de Leiria é coorganizadora do evento e, como tal, tem sempre uma palavra a dizer. Compreendemos a sua decisão”, afirma o presidente da associação, Carlos Matos.

Na rede social Facebook, o responsável foi mais contundente: “A censura artística, neste caso (e em 99,99% dos casos) é totalmente absurda. Nada nesta banda [Rïcïnn] é horrível, nada nesta banda é ofensivo, nada aqui é sórdido. Nada justifica tamanha tacanhez”.

O presidente da Fade In lembra que luta “há mais de 25 anos por uma mudança de mentalidades” na cidade, mas “pelos vistos tem sido trabalho em vão. Hoje sinto-me pequenino, impotente. O clero radical existe e tem muito poder. Cuidado!”.

A alteração de local dos dois concertos garante, contudo, que o Extramuralhas “se realize com o espírito festivo que lhe é tão caraterístico”, evitando “que possa ser associado a uma polémica a que é totalmente alheio”.

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