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Observatório astronómico do Pinhal do Rei abandonado há anos

O espaço chegou a ser um equipamento único mas está hoje abandonoado Foto: Joaquim Dâmaso

A porta está aberta, o edifício apresenta sinais de degradação, o telescópio desapareceu. As chamas do incêndio de outubro do ano passado estiveram por perto e isso nota-se. Em pleno Pinhal de Leiria, há 18 anos que existe um observatório astronómico. Foi inaugurado com pompa e circunstância em agosto de 2000. Está abandonado há anos.

Detetar uma supernova – a explosão de uma estrela que durante um breve período se torna especialmente visível – é um dos mais raros, mas excitantes, momentos na astronomia. Por serem raras e espetaculares. Não consta que o Observatório Astronómico do Pinhal do Rei (nas imediações de São Pedro de Moel) tenha descoberto alguma. Mas é difícil evitar a comparação com uma supernova: o observatório surgiu como um intenso brilho na região. Mas durou pouco, acabando por se extinguir. A 5 de agosto de 2000, o então ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, inaugurou o observatório.

Demorou cerca de dois anos a ser construído e custou aproximadamente 90 mil euros, financiado por dinheiros públicos, relataram as notícias da altura. Capaz de detetar objetos celestes até uma magnitude de 15, o telescópio podia ser controlado à distância através de software específico. E as escolas da região iriam passar a ser parceiras do programa, com projetos de astronomia amadora.

Uma oportunidade perdida
Aquele era um equipamento único. No início do século, o observatório estava já equipado com uma ligação à internet. Era o maior telescópio robotizado do país (tinha cerca de 40 centímetros) e funcionava numa cúpula de três metros de diâmetro (que permanece no local). À data da inauguração, João Clérigo presidia à Associação Nacional de Observação Astronómica que, sedeada na Marinha Grande, geria o equipamento.

Ao REGIÃO DE LEIRIA explica que a direção que presidia foi destituída um par de meses depois, após um conturbado ato eleitoral. Afastou-se. Rapidamente surgiram sinais de funcionamento deficiente da associação e incapacidade em assegurar os diversos serviços que garantiam o normal funcionamento do observatório, provavelmente por falta de pagamento, acrescenta outra fonte ouvida pelo nosso jornal. Seguiram-se algumas atividades esporádicas no âmbito do programa Ciência Viva, mas em 2002 o observatório estava já inativo. Ao equipamento existente no local, perdeu-se o rasto.

Raul Testa, presidente da Associação Asteriscos (de Leiria e que conta com um grupo informal denominado de “Buraco Negro”, dedicado à divulgação da ciência) , lamenta que um equipamento daquela relevância para a astronomia, esteja inativo.

“A nossas atividades [na área da astronomia] têm decorrido na rua, mas com um observatório em condições, teríamos toda a disponibilidade para o utilizar e dinamizar com outras associações”, revela. “Seria um polo importante de astronomia e ciência”. É que, defende, a adesão às atividades que têm sido realizadas, “mostra que há interesse pela ciência”. Raul Testa admite mesmo que aquele local, depois de recuperado, poderia ser um bom candidato a integrar a rede de centros de Ciência Viva.

Ao que o REGIÃO DE LEIRIA apurou, o observatório está agora sob a alçada do ICNF que o nosso jornal questionou sobre eventuais planos para reabilitar aquele equipamento. Até à hora de fecho desta edição não obtivemos resposta.

(Notícia publicada na edição de 6 de setembro de 2018)

CSA

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