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Surma: “Festival da Canção? Vou ter de tomar um Xanax antes de ir para palco!”

Surma: “Festival da Canção? Vou ter de tomar um Xanax antes de ir para palco!”

Há uma música de Leiria no Festival da Canção 2019: Surma, projeto de Débora Umbelino, apresenta “Pugna”, tema que divide opiniões e que lança, dia 23 de fevereiro, um dos mais promissores valores da música nacional no histórico festival. Será ela a representante nacional na Eurovisão deste ano, em Israel?

Como surgiu a possibilidade de participar no Festival da Canção?
Foi em setembro que o [Nuno] Galopim [consultor da RTP para o Festival da Canção] me ligou. Estava em casa e recebi a chamada dele a dizer: “Olha, estás interessada em participar no Festival da Canção?”. Fiquei: “A sério? Mas eu?”. Disse-me que queriam apostar numa cena mais eclética e que já tinham pedido ao Conan Osiris, Frankie Chavez, Rui Maia, essa malta mais alternativa. Eu disse: “Fixe, conta comigo”. Sempre foi um desafio cantar em Português e queria  fazer uma música mais estruturada, mas dentro do meu universo. Fiquei felicíssima.

Que opinião tem do festival?
Para ser sincera, só comecei a assistir ao Festival da Canção de há dois anos para cá. Não sou muito daquela coisa da competição. Mas Portugal tem apostado muito na ecleticidade. Tanto que ouvi comentários de malta da América e do Reino Unido sobre a Eurovisão deste ano e ainda perguntam: “que país é este?”. Há comentários incríveis, a dizer que está uma “freakaria” autêntica. Isso é bom, temos vários géneros e é incrível.

Já ouviu as outras músicas?
Já e… “Telemóveis” [música de Conan Osíris], “Telemóveis” para sempre! [risos]. Sou suspeita: gosto muito do Conan e sou muito amiga dele. É a minha preferida, com a da Ana Cláudia, dos D’Alva. Estão todas muito porreiras. Não vai ser boring, vai ser uma festa!

Prefere “Telemóveis” à sua?
Bom, é a minha… Não sei, a minha não é Eurovisão perfeita, nem lá perto!

Como vai ser ao vivo?
Estou a pensar numa estética mais forte e impactante. Vai ser um desafio e uma experiência que nunca tive, com os media e a televisão toda ali a acontecer… Vou ter de tomar um Xanax antes de ir para palco [risos]!

O representa este momento?
Vai ser importante para dar a conhecer o meu trabalho a nível nacional e a outros públicos. Mas eu sei que sou daquele nicho que as pessoas ou gostam ou odeiam. Noto isso nos comentários à música: há opiniões muito divididas. Tenho uns haters incríveis; obrigado aos haters, que aquilo está mesmo intragável! [risos]. Mas também já recebi mensagens de pessoas que não me conheciam e que adoraram. Até da Grécia recebi, e esse é o meu objetivo: chegar ao público da Eurovisão que nunca me ouviu.

E vai conseguir chegar à final da Eurovisão?
Vou mesmo na desportiva. Vou dar o meu melhor mas não estou a pensar nessa coisa dos votos e de ligar… Vou fazer a pior promoção de sempre! O que tiver de ser, é. Não vou mudar só por ser o Festival da Canção.

Como surge esta música, “Pugna”?
Fi-la numa noite em que estava como deadline apertadíssimo. Não era para ser eu a intérprete, não me queria nesse papel. Era para ser a Joana Guerra, uma violoncelista incrível. Sou um bocado obcecada pelo trabalho dela. Queria que ela fosse a intérprete, mas teve uma proposta para tocar em várias peças de teatro ao vivo e, pronto, não foi possível. Tive de me por nesse papel. A música foi feita como outras músicas da Surma: à base de sonzinhos, num ambiente melhor estruturado do que no “Antwerpen”, e… o mais difícil foi mesmo a melodia e a letra. Tentei uma coisa mais catchy, mas não aconteceu [risos]. Acabou por sair assim. Depois o [letrista] Tiago Félix apareceu-me do nada. Descobri o trabalho dele e foi logo ali uma química incrível. Foi assim, muito genuíno.

E que tal cantar em português?
É um desafio do caraças! A dicção… é preciso muita atenção à métrica e, apesar das pessoas pensarem que está cheia de efeitos, não está. Só tirei a equalização da voz para estar mais funda e pus segundas vozes para despertar a voz principal. 

No último ano deu um número exorbitante de concertos, mais de meia centena deles no estrangeiro, e em 2019 parece que o ritmo é para continuar. Como é andar pelo mundo a tocar?
A minha casa é mesmo a estrada. Mesmo quando estou em casa, não consigo estar quieta. Andar com stress e a comer à pressa já está em mim. Mas já ganhei um amor incrível a isto. Conheci pessoas de outro mundo que são grandes amigas minhas, tenho amigos na América e quero fazer colaborações com todos eles… Tem sido uma experiência que nunca pensei.

Vai haver o dia em que não voltará a casa…
Era bom sinal, mas não, espero voltar sempre a casa. Gosto muito aqui do Vale do Horto. Mas tem sido um sonho constante. Blessed forever!

Uma das confirmações da agenda deste ano é o Primavera Sound
Ainda nem acredito que vou ao Primavera, um dos meus festivais preferidos. Já sou “festivaleira” desde 2012, no primeiro ano em que Portugal teve Primavera. Ir lá como artista estava nos meus sonhos. Era Primavera e Paredes de Coura. Paredes de Coura já está, check, e agora vem o Primavera. Vou preparar uma coisa uma bocado fora, mas diferente de Paredes de Coura. É um festival do outro mundo e estou felicíssima. Quero conhecer a Rosalía, o hype da cena!

Entre isto tudo, dá para pensar no sucessor do “Antwerpen“?
Consigo, já tenho umas três ideias meio freak. Vai ser um bocadinho mais experimental e mais sólido. Mas as ideias ainda são básicas. Esteticamente está pensado, mas as músicas estão longe do produto final. Estou a abrir caminho e talvez no final deste ano surja um EP e o longa duração lá para 2020. Este ano vou experimentar coisas novas com vários músicos diferentes de vários géneros e aprender mais sobre isso.

Débora Umbelino dá vida a Surma, um projeto que tem dado que falar em Portugal, na Europa e que até já atuou nos Estados Unidos da América e no Brasil. “Pugna” é a música que leva ao Festival da Canção 2019, procurando chegar a novos públicos  
Foto: Joaquim Dâmaso

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