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“Existe uma sangria de médicos no Hospital de Leiria”

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Carlos Cortes, diz em entrevista ao REGIÃO DE LEIRIA que a situação nas urgências de Leiria é “ extremamente grave”.

No início deste mês, a SRCOM denunciou uma situação de “calamidade” no serviço de urgência do Centro Hospitalar de Leiria. É este o ponto mais crítico?
O hospital tem muitos pontos críticos e tenho feito imensas reuniões no hospital de Santo André. Neste último ano, foi o hospital que mais atenção mereceu da Ordem dos Médicos (OM), pelas dificuldades que tem estado a atravessar. A maior preocupação, principalmente desde o início deste ano, é o serviço de urgência. Temos recebido dezenas de declarações de responsabilidade dos médicos. Nunca a OM recebeu tantas declarações de responsabilidade como do Hospital de Leiria.

Porquê desde o início do ano?
Tem havido problemas grandes nas urgências. Isso está relacionado sobretudo com a falta de médicos. Pontualmente, somos informados da dificuldade que tem a cirurgia, a ortopedia, a ginecologia, a medicina interna, em acudir aos doentes que recorrem à urgência de Leiria. Estamos num período do ano de muitas infeções respiratórias, que não é surpresa para ninguém. É no Inverno que, normalmente, se situa a maior fatia de episódios destes, que requerem muito da urgência dos hospitais. Recebemos 60 declarações de responsabilidade de médicos. Vou passar a ler algumas partes, para ter noção: “atendendo ao supracitado e à limitação das infraestruturas e à incapacidade de resposta aos doentes pela nossa parte e das restantes equipas, considero que não estão asseguradas as condições de segurança para o ato médico. Considero ainda que as condições são desumanas para os doentes, médicos e restantes profissionais de saúde”. Esta incapacidade de resposta tem a ver com o número. Neste caso, o documento começou a dizer que só estavam dois médicos especialistas de medicina interna para 90 doentes. Este comentário não é isolado e espelha bem o que está a acontecer no Hospital de Leiria, onde o número de recursos humanos está muito abaixo daquilo que é desejável para poder resolver os problemas dos doentes. Há cerca de 400 episódios de doentes que recorrem às urgências por dia. Por vezes atingimos os 600. Deveríamos ter, no mínimo, quatro médicos especialistas. O que acontece muitas vezes é que só lá estão dois. Assim é impossível termos cuidados de saúde com o mínimo de qualidade. Temos relatos extremamente preocupantes de médicos que não conseguem reavaliar doentes que estão no serviço de urgência em períodos de 24 horas.

Saiba mais na edição impressa desta quinta-feira, dia 28 de fevereiro, do REGIÃO DE LEIRIA. 

Carlos Cortes, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos 

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