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Em São Jorge a batalha já se joga uns metros acima do solo

Em São Jorge a batalha já se joga uns metros acima do solo

Resgatar o imaginário de Aljubarrota para um par de metros acima do solo e, pelo caminho, mergulhar num emaranhado de árvores que facilmente serviriam de refúgio a um Robin dos Bosques dos tempos modernos. É assim que o arborismo toma forma em São Jorge, no local onde lusos e castelhanos mediram forças em finais do século XIV.

Sim, há meia dúzia de séculos, os dois exércitos enfrentaram-se no planalto de São Jorge. Hoje em dia, o embate é aí recordado, mas num plano alto, no meio dos pinheiros.

Há obstáculos “que fazem lembrar os abatises” [fortificações defensivas] ou “as covas do lobo, em que se tem de saltar para evitar a falta de troncos”, exemplifica João Mareco, diretor do Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, nas imediações do qual está instalado o novo parque, batizado com a designação de “Parque Aventura de S. Jorge”.

A criação do parque obedeceu à preocupação da sua “tematização, porque esta é uma zona de valor patrimonial, onde se contam histórias”, refere João Mareco. No terreno, o parque começou a tomar forma há alguns meses, mas a ideia tem cerca de dois anos.

O processo implicou a instalação física dos equipamentos, mas também a superação de um conjunto de etapas, ultrapassadas com várias autorizações, certificações e licenciamentos. Pelo meio, as próprias árvores foram inspecionadas e tratadas para prevenir problemas como o nemátodo.

O uso do parque, que abriu dia 11 de maio, é possível para maiores de 6 anos, contando com dois circuitos. Um primeiro permite a adaptação do utilizador. Um segundo circuito, maior, conta com uma extensão próxima dos 400 metros e oferece várias estações.

O roteiro museológico dentro do centro de interpretação e na zona circundante, é agora reforçado com uma experiência que assimila alguns dos conceitos da batalha de Aljubarrota. João Mareco espera um crescimento exponencial da utilização do parque com a sua inclusão na rota das visitas das escolas. Revela ainda que existem planos para, no futuro, alargar a zona destinada ao arborismo em São Jorge.

 

Artigo originalmente publicado a 23 de maio na edição impressa do REGIÃO DE LEIRIA 

 

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