Contestado pelos moradores, o muro que contorna parcialmente o Bairro Social da Integração está a suscitar ampla controvérsia Foto: Joaquim Dâmaso

A construção de um muro de betão com dois metros de altura junto ao Bairro Social da Integração, junto à avenida Paulo VI, em Leiria, está a ser contestado pelos moradores, que se dizem segregados e já motivou um pedido de esclarecimentos à Câmara por parte dos deputados do PSD eleitos por Leiria.

Segundo notícia publicada esta quarta-feira pelo Jornal de Notícias, os habitantes do bairro estão descontentes com a intervenção no espaço público, apesar de satisfeitos com a recente requalificação das casas. Além do muro, queixam-se da falta de espaço para circulação rodoviária, de lugares de estacionamento e de contentores do lixo.

Os moradores do bairro pedem que o muro possa ser mais baixo e que ficar mais afastado das casas, de forma a alargar o espaço da estrada para a passagem de carros, nomeadamente veículos de socorro.

“Eu saio ali de dentro (de uma das casas) e o que é que vejo? O céu e bato aqui contra o muro”, disse ao REGIÃO DE LEIRIA um dos moradores, referindo-se à vista que fica tapada pela estrutura.

Os deputados social-democratas querem saber as razões que motivaram a construção do muro a delimitar o bairro onde moram 47 pessoas, e questionam “se as necessidades de definição de limites do terreno não seriam asseguradas através de outras formas ou soluções mais inclusivas”.

“De que forma se compatibiliza a circunstância de se tratar de um Bairro Social de Integração e, simultaneamente, estar este bairro delimitado e separado da comunidade, num consequente ato de pura segregação?”, perguntam ainda.

“Esta parece ser uma situação absolutamente contrária ao objetivo de integração que a autarquia deveria prosseguir”, defende ainda a deputada Margarida Balseiro Lopes, que considera inaceitável “a construção de um muro de dois metros que isola uma comunidade”.

“As justificações avançadas pela autarquia leiriense parecem querer disfarçar uma inegável segregação social. A era dos muros que tanto tem sido criticada noutras geografias do mundo, parece ter sido adotada pela Câmara de Leiria”, acrescenta numa nota enviada à comunicação social.

A controvérsia levou entretanto o Município de Leiria a emitir um esclarecimento público em reação à notícia do Jornal de Notícias.

Rejeitando qualquer intenção de isolar o bairro e as pessoas que ali vivem, a Câmara adianta que, “ao contrário do que refere a notícia, não existem vivendas do outro lado do muro”, mas sim “um terreno baldio florestal, que não oferece condições de segurança”.

Frisando que o muro “existe apenas numa lateral e no tardoz do Bairro da Integração”, a autarquia esclarece que a estrutura “estabelece proteção em relação ao terreno florestal, nomeadamente face ao risco e histórico de incêndios florestais naquela zona”, e que a sua construção “constituía uma obrigatoriedade da candidatura ao PEDU – Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano”.

Refere, por outro lado, que a medida “foi abordada com alguns moradores, que acolheram as razões apresentadas pelo Município para a sua construção”. Além da criação de um circuito interno no Bairro “de modo a permitir a circulação de viaturas e criar condições de segurança, que eram inexistentes”, o espaço envolvente “foi significativamente melhorado, nomeadamente a criação de arruamentos, acessibilidades e estacionamento”, acrescenta.

Segundo a autarquia, o bairro “apresentava um estado de profunda degradação, com telhados em fibrocimento, oferecendo agora ótimas e dignas condições de vida aos moradores que usufruem das habitações ao abrigo da política de apoio social do Município”.

MR/JM

Traçado do muro que contorna o  bairro,  segundo a Câmara  Foto: CML

Espaço envolvente foi intervencionado para garantir melhores condições de circulação e segurança, refere a autarquia Foto: CML

Imagens do bairro antes da requalificação   Foto: CML

Obras de reabilitação das casas e espaço público do bairro rondaram  meio milhão de euros Foto: CML