Várias ações assinalam o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, instituído há 20 anos Foto de arquivo

O ano de 2019 ainda não acabou mas já houve mais denúncias de novos casos de violência doméstica no distrito de Leiria do que em todo o ano de 2018.

Até 15 de novembro, a um mês e meio do final do ano, a associação Mulher Século XXI – Associação de Desenvolvimento e Apoio às Mulheres, de Leiria, registou 174 novos casos de violência doméstica. Mais 18 do que os 156 contabilizados em 2018.

“Notamos realmente que há um aumento de queixas apesar de nos chegarem por outras vias [autoridades policiais ou unidades de saúde]”, sendo que muitas vítimas  apresentam queixa depois de serem atendidas, adianta ao REGIÃO DE LEIRIA Susana Pereira, coordenadora da Mulher Século XXI.

“Infelizmente, a problemática continua a crescer” e “é preciso dar cada vez mais visibilidade ao problema”, acrescenta, sublinhando que, embora haja “mais olhares atentos” e “as pessoas estejam a perder um pouco o medo” em denunciar, “os casos são mais graves, o que faz com que as vítimas necessitem mesmo de pedir ajuda”.

“Se não denunciarem, ficamos de mãos atadas. Não sabemos, porque fica entre as quatro paredes da casa, que é onde tudo acontece”, alerta, na véspera do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Para assinalar a data, a Mulher Séc. XXI promove esta segunda-feira, 25 de novembro, uma manifestação em Leiria, com o apoio do Município.

#nemmaisuma é o mote do encontro, marcado para as 18 horas, no largo do Papa. Os participantes, convidados a vestir uma peça de roupa preta em homenagem às mulheres vítimas de violência, percorrerão o centro da cidade, pela rua Machado dos Santos, até ao largo da República.

Mas não só. Antes diso, pelas 16 horas, a Mulher Séc. XXI, o Comando Distrital de Leiria da PSP e o Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria vão estar no m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento para uma ação de sensibilização/informação sobre a temática. A sessão integra a Operação “Violência fica à Porta”, da PSP, que se estende até 29 de novembro.

Amanhã ainda, o Departamento de Desporto e Bem-Estar da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria organiza duas aulas de Krav Mag e defesa pessoal, a primeira às 10 horas e a segunda às 15.

Entretanto, esta semana, várias instituições do Bombarral colaboraram numa ação de rua para sensibilizar a população para a questão da violência doméstica.

Sob o lema “Não deixes que façam de ti um saco”, equipas constituídas por elementos do Município do Bombarral, NILAVD – Núcleo de Intervenção Local para a Área da Violência Doméstica do Bombarral, GNR, Unidade de Cuidados na Comunidade de Bombarral e Peniche, Unidade Local de Saúde Pública, CLDS 3G Bombarral Social, Santa Casa da Misericórdia e Segurança Social percorreram durante três dias as freguesias do concelho, sensibilizando para a denúncia destes casos junto das autoridades policiais ou do NILAVD.

Mulher Século XXI

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Linha de Apoio à Vítima Idosa de Violência Doméstica 800 210 340

MR

Este ano, 33 pessoas foram mortas em Portugal em contexto de violência doméstica, entre 25 mulheres, uma criança e sete homens. Estes dados, que têm por base estatísticas da Polícia Judiciária em matéria de vítimas de homicídio voluntário consumado em situação de violência doméstica, foram avançados na passada sexta-feira pela ministra da Presidência, em conferência de imprensa.

 

Quanto às medidas de coação, a ministra da Justiça adiantou que houve um aumento de 47,25% entre 2018 e 2019 do número de medidas de afastamento fiscalizadas por vigilância eletrónica, com 511 casos registados este ano.

 

Segundo Francisca Van Dunnen, aumentaram também os casos de prisão preventiva, apontando que entre janeiro e setembro de 2019 houve 215 presos preventivos por violência doméstica, contra 112 em período homólogo de 2018.

 

No que toca ao número de pessoas a quem foi decretada pena suspensa, Francisca Van Dunnen adiantou que houve uma redução entre 2018 e 2019, sendo que este ano havia 1.792 agressores com suspensão provisória, contra 1.676 registados no ano passado.

 

Já a cumprir pena efetiva, e para o mesmo período, havia 973 condenados, contra 820 que cumpriam pena em 2018