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Tempo incerto: A mensagem

José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

Em mensagem na sua página do Facebook, o presidente da CML, Gonçalo Lopes, escreve que Leiria “merece sempre a nossa homenagem, nos bons e nos maus momentos. É o seu nome que nos deve unir e nunca dividir. Uma Leiria conciliadora e bonita. Uma Leiria de corpo inteiro. Uma Leiria colectiva e não individual. É assim que quero Leiria.”

Ficamos sem saber que Leiria quer Gonçalo Lopes, além de uma adjectivação algo fantasista, pretensamente idílica e beatífica. Teria sido melhor que adiantasse qual o seu projecto político para Leiria e como pretende incentivar a resolução dos problemas que afectam a cidade e o seu concelho.

Leiria não é uma mera abstracção, descrita em tonalidades suaves para consumo ideológico. Leiria é representada pelas vivências de todos os que aqui habitam, trabalham e quotidianamente lhe dão vida. É, ainda, um espaço patrimonial e urbano consolidado pela História, que, em parte, apela a uma profunda reabilitação e regeneração.

E para prestigiar, dignificar e desenvolver Leiria pode e deve haver diferenças de opinião quanto aos caminhos a seguir, às opções a tomar e às prioridades a definir.

Qualquer cidade, onde se constrói o futuro, assume-se pela originalidade e pela qualidade das políticas públicas, bem como pela resolução dos problemas que afectam a vida dos cidadãos.

Uma cidade que se orgulha da sua identidade sabe preservar a memória colectiva. Uma cidade que se orgulha de si própria não se esgota no marketing das redes sociais ou na multiplicação de ilusórios eventos, que acabamos todos por pagar.

Ficaríamos muito mais agradecidos se Gonçalo Lopes anunciasse a sua visão para Leiria, desse a conhecer que problemas considera prioritário enfrentar, como pensa superar os entraves estruturais do presente e delinear a construção do futuro.

Podia olhar para o exemplo de outras cidades que vêm superando Leiria em qualidade de vida, em dinâmica social e capacidade de atracção para o investimento público e privado. Cidades que promoveram estratégias de longo prazo e se orgulham dos resultados alcançados.

E também não fazia mal nenhum ver os erros cometidos e reflectir sobre o que tem sido feito ou deixado por fazer.

Talvez fosse melhor dar algum conteúdo e substância à Leiria que quer e promover o debate sobre o futuro que será de todos nós.

(Escrito de acordo com a antiga ortografia)

(Artigo publicado na edição de 31 de outubro de 2019 do REGIÃO DE LEIRIA)