O terceiro capítulo começa amanhã. Depois de África e América do Sul, o rali Dakar conhece uma nova realidade, desta vez na Arábia Saudita, e há quem sinta “alguma ansiedade” para testar o que a edição de 2020 tem para oferecer.

Por ser novidade, o nível de conhecimento será mais equilibrado para todos os pilotos mas a organização já anunciou que apesar de menos exigente fisicamente – se é que isso é possível no Dakar – será mais difícil em termos de navegação.

Ricardo Porém segue como rookie na categoria auto, depois de se ter estreado em 2019 na prova na categoria side by side.
O convite surgiu pela Borgward e será o segundo piloto da marca que tem Nani Roma, espanhol que participa pela 24ª vez – leu bem – e venceu duas edições (uma em carros e outra em motos), como rosto principal.

“É o meu máximo como piloto e é sinal que acreditam naquilo que posso fazer. Além de ser um projeto Ricardo Porém, é um projeto para Portugal, um projeto nacional”, diz o jovem de 30 anos, um dos 11 portugueses que vai participar na edição 2020 do Dakar.

A participação é o desejo alcançado e entre a elite “acresce responsabilidade” mas também “acresce a motivação”. “Ainda que já bastante motivado, quando fui em 2019, a realidade é que a categoria auto é um registo completamente diferente, onde estou habituado a correr e agora vou disputar o Dakar com os melhores do mundo”, salienta.

O leiriense estará acompanhado por um navegador que conhece bem, o irmão Manuel Porém, e acredita que vão fazer “uma excelente dupla”. “Depois da Baja Portalegre [em outubro], onde experimentámos o carro, e face ao trabalho que o Manuel fez, a equipa demonstrou interesse que ele fizesse equipa comigo. Será a primeira vez dele no Dakar, apesar de já ter feito cinco ralis de Marrocos”, diz, confiante que podem fazer um bom resultado. “Que a sorte para a qual trabalhamos esteja do nosso lado”, afirma.

“O objetivo principal é chegar ao fim. É assim que temos que pensar no Dakar. São 8.000 km e muita coisa pode acontecer. Vamos focados em ajudar a equipa, tentar o melhor resultado possível e, se não tivermos contratempos, se conseguirmos fazer o nosso ritmo, penso que podemos ficar no top 10”, acrescenta Ricardo Porém, que na última edição foi 11º classificado em side by side.

O Dakar 2020 arranca este domingo, dia 5, em Jeddah, onde a dupla leiriense já está desde 1 de janeiro.

“Começo a sentir alguma ansiedade, o que é normal e bom sinal. Gosto que a corrida comece, não para relaxar mas para não pensar tanto no assunto, e deixar fluir, para fazer o que sabemos melhor”, explica.

O “terceiro capítulo” será “muito difícil”. “Dizem que vamos voltar aos tempos de África, com grandes etapas, muito tempo dentro do carro, muitas horas de concentração máxima”, dá conta. A primeira etapa terá logo uma tirada de 752 km, 319 dos quais ao cronómetro, com dunas e terreno rochoso.

As dificuldades vão aparecendo à medida que os quilómetros avançam, com altitude e tapetes, até à paisagem 100% com areia e fora de pista, eleita pelos especialistas em dunas, tal como Ricardo Porém. “É preciso ter calma, cabeça e discernimento para podermos passar as dunas sem nervos. Se isso acontecer, não nos conseguimos concentrar no objetivo final e os erros começam a aparecer”, afirma.

Pronto para regressar apenas a 18 de janeiro, Ricardo Porém garante estar disponível para ajudar Nani Roma se o companheiro de equipa precisar, assim como o espanhol o irá ajudar. “Este é um desafio de equipa. O Dakar para ser ultrapassado tem que ser feito e superado em equipa”, salienta.

(artigo publicado na edição de 26 de dezembro de 2019, que pode ser adquirida na loja).

Marina Guerra
Jornalista
marina.guerra@regiaodeleiria.pt

Ricardo e Manuel Porém testaram o carro da Borgward na Baja Portalegre e mostram-se confiantes num bom resultado. Será a segunda participação do piloto no Dakar, enquanto o navegador corre pela primeira vez Foto: RP

Transmissão

Canal Eurosport
4 janeiro – 21 horas
5 a 11 janeiro – 22 horas
12 a 17 janeiro – 22h30