A greve dos trabalhadores da Vista Alegre Atlantis, em Alcobaça, regista hoje uma adesão de 90%, segundo o Sindicato da Indústria Vidreira, enquanto a empresa diz que apenas 20% dos funcionários aderiram à paralisação por aumentos salariais.

A greve foi iniciada às 6 horas pelos trabalhadores do turno que se prolonga até às 14 horas a que se juntaram desde as 8 horas os funcionários do horário diário com “a concentração de cerca de 90% das pessoas à entrada da empresa” onde, segundo Ricardo Brízido, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (STIV), “apenas uma linha de produção está a funcionar, assegurada por trabalhadores contratados”.

A paralisação convocada pelo STIV tem por base a reivindicação de “um aumento salarial de 90 euros por mês ou de três euros por dia”, em linha com a proposta da CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), bem como a subida do subsídio de refeição, “que ronda os 4,5 euros, para os cinco euros”, explicou o dirigente sindical.
Em termos salariais os trabalhadores reivindicam ainda “o fim da discriminação por género ou por tipo”, defendendo “ordenados iguais para homens e mulheres e para as diferentes funções nas várias secções”, acrescentou.

A redução das 40 para as 35 horas de trabalho semanal é outra das exigências dos trabalhadores concentrados à porta da unidade localizada na zona industrial de Alcobaça, no concelho de Leiria, onde a greve irá manter-se até às 6 horas de sexta-feira, para abranger os funcionários dos segundo e terceiro turnos, respetivamente entre as 14 horas e as 22 horas e entre as 22 horas e as 6 horas.

Contactada pela agência Lusa, a empresa afirmou que os números avançados pelo sindicato “não traduzem a realidade contabilizando, por seu lado, “uma adesão inferior a 20% dos trabalhadores”.

Uma divergência em parte explicada pela contabilização dos trabalhadores, em que a empresa inclui um total de 400 pessoas, entre efetivos e contratados, e o STIV contabiliza apenas “entre 250 a 280 efetivos”.

No que respeita às reivindicações, a empresa esclareceu ainda que a Vista Alegre Atlantis “cumpre integralmente a legalidade no que tange aos direitos laborais” e tem “uma política de valorização profissional que se traduz em atualizações salariais acima dos valores legais, como tem sucedido ao longo dos anos e que se repetirá em 2020”.
Relativamente ao horário de 35 horas semanais, 25 dias de férias e idade da reforma aos 55 anos, a empresa considera serem reivindicações “totalmente desajustadas, sem prejuízo de assistir ao sindicato o direito de discutir estas matérias juntos da entidades e organismos representativos competentes”.

O STIV, que até às 12 horas não tinha “qualquer resposta por parte da administração para reunir com o sindicato ou com os trabalhadores”, estima que a adesão “se mantenha e possa até aumentar durante os turnos da tarde e da noite”.

A fábrica, do Grupo Visabeira, produz cristais Atlantis desde 1972, na unidade então denominada Crisal – Cristais de Alcobaça, e nessa época adaptada para a produção de cristal de chumbo superior.

As exportações foram, nos anos seguintes, responsáveis por entre 50% e 75% da faturação, o que levou a Atlantis a construir, em 1985, uma nova atual fábrica no Casal da Areia, na zona industrial de Alcobaça.

Em 2001 é efetuada a fusão com o Grupo Vista Alegre, formando o maior grupo nacional de louças de mesa e sexto maior do mundo nesse sector.

Em 2009, o grupo passou a integrar o portefólio de marcas do Grupo Visabeira.