O Município de Leiria está “empenhado” em resolver o problema da poluição ambiental provocada pelas suiniculturas, pelo que vai continuar a reunir com o setor, disse hoje, em reunião de executivo, o presidente daquela autarquia.

Confrontado pelos vereadores do PSD, que denunciaram os “maus cheiros” provocados pelos espalhamentos efetuados no concelho e as descargas de efluentes no rio, o presidente do Município de Leiria, Gonçalo Lopes (PS), afirmou que reuniu esta semana com o presidente da Associação dos Suinicultores, David Neves, para “encontrar uma solução”.

 “O objetivo é perceber que tipo de ação tem de ser feita para se reduzir este tipo de cheiro e a poluição ambiental, sem estar dependente de uma situação estrutural – construção de uma Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas -, que não é possível ter no imediato”, avançou Gonçalo Lopes.

O autarca afirmou que tem agendadas novas reuniões com David Neves, assim como com a Águas de Portugal, que irá visitar a Estação de Tratamento de Águas Residuais Norte, para onde poderão ir parte dos efluentes.

Gonçalo Lopes recordou que o Governo atribuiu à Águas de Portugal a realização de um estudo para que seja construída uma Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas e crie um modelo financeiro.

“Se a solução fosse fácil e rápida já estava resolvida há muito tempo. Esta é uma área que não depende da Câmara, mas estamos empenhados em criar consensos com os agentes económicos, Ministério da Agricultura e Ministério do Ambiente. É preciso um compromisso por parte dos suinicultores e, claro, fiscalização”, assumiu.

O vereador social-democrata, Álvaro Madureira, sugeriu que o Município crie um regulamento para os espalhamentos. “Tem de haver uma fiscalização grande, porque os próprios solos estão saturados e a população tem de ter qualidade de vida. Não pode ficar impedida de abrir a janela por causa do cheiro nauseabundo, que sufoca as famílias.”

Gonçalo Lopes acrescentou que “todos os dias serão produzidos cerca de 1000 metros cúbicos de efluentes suinícolas, que têm de ser controlados”.

Na reunião de Câmara de hoje foi ainda apresentado o projeto para o edifício da Caixa Agrícola de Leiria, adquirido por 1,6 milhões de euros há cerca de dois anos para serviços da Assembleia Municipal.

O estudo prévio aponta para um investimento de 1,3 milhões de euros, valores que podem sofrer alterações, segundo explicou o vereador Ricardo Santos.

O projeto terá um auditório com 150 lugares, que poderá ser utilizado para eventos culturais, gabinetes para os deputados e receção.

“Como só se realizam dez reuniões de Assembleia Municipal por ano, entendemos que o edifício terá uma dupla valência. Não só servirá a Assembleia Municipal, como também será utilizado para serviços da Câmara, exposições e outros eventos culturais e arquivo municipal”, adiantou o vereador das Obras Municipais.