A proposta preliminar de revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) de Peniche tem dado azo a várias manifestações da população.

A última aconteceu na sexta-feira, dia 25, com uma marcha lenta de tratores agrícolas e automóveis, promovida por habitantes de Ferrel, pelas ruas de Peniche.

Em curso está também uma petição pública pela rejeição da proposta da revisão do PDM que, até esta terça-feira, tinha já 2.792 assinaturas.

No documento, intitulado “Pela rejeição da proposta da revisão do PDM no concelho de Peniche”, os signatários classificam o documento de revisão como um “erro para a maioria da população”, uma “força de bloqueio ao desenvolvimento do concelho e uma porta aberta aos grandes grupos económicos”, e que “transforma o turismo no único sector a existir”.

A petição defende que a proposta apresentada dita o “fim da agricultura, assim como a desgraça de dezenas de famílias de pequenos produtores agrícolas”, “a retirada do atravessamento do trânsito dos centros das povoações” e a “criação de uma unidade de execução no Baleal”, que inclui a “construção de uma torre com (…) 10 pisos para a instalação de um hotel”.

A falta de abertura no processo é outra das críticas apontadas pela petição, considerando que as alterações apresentadas pela Junta de Freguesia de Ferrel “não foram aceites ou sequer tomadas em consideração” e que foram “rejeitadas todas as iniciativas de participação pública à população”.

O REGIÃO DE LEIRIA procurou ouvir Henrique Bertino, presidente da Câmara Municipal de Peniche, sobre estas manifestações populares, sem sucesso até à data de publicação deste artigo.

Mas, em entrevista à rádio 102 FM Peniche, na segunda-feira, o autarca disse que “há muitas inverdades”, negando todos os argumentos apresentados. “É uma proposta técnica que está em análise, para ser trabalhada. Tudo está em aberto”, acrescentou.

Para discutir o PDM, foi convocada uma reunião aberta a todos os agricultores do concelho, este sábado, dia 3, às 21 horas, em Atouguia da Baleia.