O movimento Amigos do Arunca já existia informalmente.

Havia um conjunto de pessoas que se preocupam com o rio que atravessa a cidade de Pombal e que iam fazendo denúncias sobre situações pontuais – ora relacionadas com poluição ou com a fauna do curso de água – mas não havia um movimento organizado.

É esse o objetivo do Amigos do Arunca, que nasceu para pôr a comunidade e as autoridades a olhar para o rio, explica um dos membros do movimento, Lucília Ribeiro, ao REGIÃO DE LEIRIA.

Foi criada uma página no Facebook, através da qual o movimento quer difundir ações de sensibilização.

O início da atividade organizada do movimento foi anunciado através de uma carta, que coincidiu propositadamente com o dia mundial dos rios, assinalado a 27 de setembro.

“Os Amigos do Arunca irão manter-se atentos e interventivos e disponibilizam-se para dar voz às preocupações dos cidadãos, para que a água do rio Arunca e seus afluentes (rio Anços, Rio Ourão) seja um património natural e cultural protegido e defendido como tal”, lê-se no texto dirigido aos cidadãos de Pombal e Soure, mas também às duas câmaras dos dois municípios.

A carta é também endereçada a autoridades responsáveis, como a Agência Portuguesa do Ambiente e o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, ministério da tutela, GNR e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

A extensão do rio Arunca, que nasce nas imediações de Albergaria dos Doze, em Pombal, e desagua na margem esquerda do rio Mondego, três quilómetros a jusante de Montemor-o-Velho, é de 56 quilómetros

O grupo cita dois acontecimentos que precipitaram a sua organização: “um dia deste verão de 2020, foram encontradas duas lindas lontras mortas, dois belos exemplares da nossa fauna, no rio Arunca, a montante da cidade de Pombal, acompanhado de relatos e testemunhos de sinais graves de poluição das suas águas”.

Esta situação, refere o Amigos do Arunca, “provocou uma onda de consternação e reflexão, juntando pessoas, que não se conhecendo, pretendem exercer uma cidadania responsável e participativa”, com a preocupação comum de não deixar morrer o rio Arunca. Afinal, este curso de água “nasce dentro de Pombal e sai do município em condições terríveis. Não é aceitável”, considera.

Para já, esta carta aberta marca o início de um diagnóstico, refere Lucília Ribeiro. “Queremos saber como é que quem tem responsabilidades olha para o rio e a população tem de saber o que já foi ali feito”, sublinha. Para isso, o movimento insta as autoridades a explicarem que ações têm sido levadas a cabo no rio e quais os planos de gestão.

Outro dos objetivos passa por fazer um trabalho de sensibilização mais virado para a comunidade, para que as pessoas “olhem para os problemas e não encolham os ombros”. Há planos para organizar ações de cariz mais educativo, como recolha do lixo, “mas toda a gente é convidada a participar com ideias”, afirma Lucília Ribeiro.

A finalidade é promover a “despoluição, aumento e manutenção da qualidade ambiental quer da água, quer da fauna e flora” do Arunca, lê-se na carta.

Este é um “exercício de cidadania pura”, explica, garantindo que o movimento “não tem cor política”, uma vez que “o ambiente é um bem maior”. “Os nossos filhos não podem pagar pelos nossos erros”, avisa.