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Leiria Capital Europeia da Cultura tem já 11 adversários declarados. Além de Leiria, uma das primeiras cidades a anunciar os seus objetivos, são públicas as aspirações de Aveiro, Viseu, Guarda, Coimbra, Évora, Faro, Braga e Viana do Castelo. A par destas capitais de distrito, Cascais e Oeiras, na zona de Lisboa, também querem entrar nesta competição.

O número de candidatos poderá ainda crescer nos próximos meses, a exemplo do que aconteceu nos últimos dias, com a candidatura dos municípios da comunidade intermunicipal do Oeste. O centro e sul do distrito de Leiria irão juntar-se ao norte do distrito de Lisboa, numa aposta regional, desconhecendo-se qual a cidade que poderá centralizar o projeto.

A história de todo este processo merece reflexão. A falta de solidariedade das capitais de distrito do Centro do país é evidente, surgindo no clima de “salve-se quem puder” que norteia a vida de um território unido pela geografia mas separado pela inveja. Relevante é também o facto de o distrito de Leiria ter duas candidaturas, uma espécie de guerra entre o norte e o sul.

Como foi possível chegar até aqui é a pergunta a que os autarcas devem responder. Será falta de estatura política ou ausência de visão estratégica? Para resposta futura ficam perguntas simples que exigem respostas esclarecidas: Leiria deve assumir-se como capital do território formado pelo distrito de Leiria e concelho de Ourém? Ou apenas pode ser líder da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), formada por Porto de Mós, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande e Castanheira de Pera?

Editorial da edição do REGIÃO DE LEIRIA de 3 de maio de 2018