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Leiria

Assembleia Municipal de Leiria convoca reunião para discutir Reflexão Estratégica Leiria 2030

Documento mereceu críticas dos deputados municipais que, em março, vão analisar documento em sessão extraordinária.

“Falta de novidade”, “programa eleitoral” e “custo demasiado elevado para o resultado final” foram algumas das críticas apontadas pelos deputados da Assembleia Municipal de Leiria, na reunião de sexta-feira, dia 12 de fevereiro, ao documento de Reflexão Estratégica (RE) Leiria 2030, apresentado pela autarquia no início do ano.

O tema foi motivo de intervenções no período antes da ordem do dia e vai voltar a ser analisado, em sessão extraordinária, no próximo mês de março.
Para Joana Cartaxo, o documento “nada mais é do que a base do programa eleitoral do PS”. “Nem sequer chegou ao patamar de plano”, tendo custado demasiado dinheiro “para tanta falta de novidade”.

“Valha a confissão de impotência para o efeito e perdoe-se o ridículo da proposta de um ‘Guggenheim’ na confluência do Lena com o Lis, em pleno leito de cheia, solos de aluvião e subsolo com enormes caudais de água”, afirmou a deputada do PCP.

Margarida Castelão, do PSD, elencou a ausência de propostas para espaços verdes, considerando que “Leiria merece mais e melhor”. “Carlos André dá a sugestão da construção de um grande parque mas outras sugestões são possíveis”, disse, apontando a Villa Portela e ou campos da prisão-escola como alternativas.

Manuel Azenha (Bloco de Esquerda) solicitou a realização de uma reunião extraordinária, por entender que “é um documento que não se pode esgotar em período antes da ordem do dia”, correndo o risco “se transformar num programa eleitoral, que não é o que se pretende”.

Por seu lado, Fábio Seguro Joaquim (CDS-PP) lembrou que “o documento está esteticamente bem sucedido” mas “custou ao erário público cerca de duas dezenas de euros por página” e por isso merece a reflexão em reunião extraordinária, sugestão que foi aprovada pelo presidente da Assembleia Municipal.

Ainda assim, Gonçalo Lopes explicou que a RE é um “documento em evolução” e que deixa Leiria “mais rica em pensamento estratégico do que há um ano atrás”. “Este é um documento para gerar muito debate e construção”, também para o período pós-pandemia, afirmou o presidente da autarquia, na reunião. “Acho que é uma vitória para a democracia e reflexão estratégica de Leiria, que pode servir de base e preparação para o nosso futuro”, acrescentou.

Rigor financeiro

As alterações ao Orçamento Municipal de 2021 foram também motivo de discussão, com críticas das bancadas do PSD, BE e PCP à falta de planeamento, não execução e adiamento de obras, o que possibilita a inclusão de um saldo de gerência de um “valor muito significativo”.

Gonçalo Lopes justificou que “a folga orçamental [resultante do saldo de gerência, 44 milhões de euros, a que acrescem 1,7 milhões da atualização do valor de transferência do Estado] permite garantir o futuro”, “com rigor financeiro”, “sem delapidar o esforço de uma década de recuperação económica” e “sem cometer a loucura de anos anteriores”.

“O Orçamento é uma despesa virada para a recuperação económica, cuidada, real, transparente e uma mais-valia para o trabalho que temos feito e que não deve ser desvalorizado”, disse, adiantando que a maioria do valor será para investimento no ambiente, saúde e relançamento da economia pós-Covid. O documento foi aprovado por maioria, com os votos do PS e PAN.

A última reunião da Assembleia Municipal ficou ainda marcada pela renúncia de mandato do deputado Luís Pinto (PS), que será substituído por Tânia Rodrigues.

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