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Consultório RL

“O Lúpus não se transmite de uma pessoa para outra”

No Dia Mundial do Lúpus, recuperamos os esclarecimentos da dermatologista Katarína Kieselová sobre a doença, sintomas, fatores de risco e tratamento

Katarína Kieselová
Dermatologista
Leiria

“O Lúpus pode apresentar-se através de queixas articulares, gastrointestinais, neurológicas, respiratórias, cutâneas, entre outras, sendo que as manifestações mais frequentes incluem cansaço, perda de peso, erupção cutânea após exposição solar ou surgimento de nódoas negras (hematomas) por diminuição do número de plaquetas no sangue

Assinala-se a 10 de maio o Dia Mundial do Lúpus. Que doença é esta?

O Lúpus, também conhecido como o Lúpus Eritematoso Sistémico, é uma doença inflamatória crónica, de causa desconhecida, que pode afetar praticamente qualquer órgão do corpo. Trata-se de uma doença autoimune, ou seja, quando o nosso próprio sistema imunitário ataca as células e tecidos dos órgãos, reconhecendo-os como estranhos.

Como se manifesta?

A apresentação clínica varia de pessoa para pessoa, sendo que algumas têm poucos sintomas e outras poderão apresentar manifestações mais graves. Os sintomas do Lúpus são causados pela inflamação crónica, que pode afetar um ou vários órgãos do corpo ou até o corpo inteiro. Por esse motivo, o Lúpus pode apresentar-se através de queixas articulares, gastrointestinais, neurológicas, respiratórias, cutâneas, entre outras, sendo que as manifestações mais frequentes incluem cansaço, perda de peso, erupção cutânea após exposição solar ou surgimento de nódoas negras (hematomas) por diminuição do número de plaquetas no sangue.

A que se deve?

Quando o nosso sistema imunitário funciona normalmente, as células imunitárias reconhecem as células “más” como, por exemplo, células infetadas ou malignas, e procedem à sua eliminação de modo a proteger-nos. No Lúpus, o sistema imunitário reage contra o próprio organismo e ataca as várias células e tecidos do corpo, provocando inflamação e dano tecidual. Embora a causa ainda continue desconhecida, sabe-se que predisposição genética, assim como fatores hormonais e ambientais contribuem para uma maior probabilidade em desenvolver Lúpus.

É contagioso?

Sendo uma doença autoimune, o Lúpus não é uma doença contagiosa, pelo que não se pode transmitir de uma pessoa para outra.

Pode surgir em qualquer idade?

O Lúpus pode surgir tanto em idade pediátrica como em idosos, contudo, afeta mais frequentemente pessoas entre a terceira e a quarta década de vida. Adicionalmente, as mulheres são afetadas oito vezes mais do que os homens.

Através de um acompanhamento médico adequado consegue-se, na maioria dos casos, atingir o controlo da doença, prolongando os períodos de remissão, sem sintomas, melhorando, assim, a qualidade de vida dos doentes”.

É possível prevenir?

Até à data, não foram ainda estabelecidos nenhuns métodos para prevenir o surgimento do Lúpus, no entanto, há vários fatores ambientais que contribuem para o desenvolvimento desta doença e influenciam também a ocorrência de surtos em doentes com Lúpus já diagnosticado. Estes fatores podem ser internos, como stress emocional ou físico, privação de sono ou cansaço, e externos, como luz solar ou tabaco.

Como se trata?

Ainda não existe cura para o Lúpus. Existem, contudo, vários medicamentos que melhoram os sintomas associados ou alteram a resposta autoimune: os anti-inflamatórios não esteróides (ibuprofeno ou naproxeno, por exemplo) diminuem a inflamação e a dor; e os corticoesteróides diminuem a resposta do sistema imunitário. Outros medicamentos que também ajudam a controlar a doença pertencem ao grupo dos anti-maláricos, nomeadamente, a hidroxicloroquina ou a cloroquina. Nos últimos anos, vários medicamentos específicos para o Lúpus têm sido desenvolvidos. São tratamentos biológicos que podem ajudar, particularmente, as pessoas com doença mais grave.

Como pode evoluir?

O Lúpus é uma doença crónica, que persiste durante a vida toda. Os períodos de remissão alternam-se com períodos de surtos. Através de um acompanhamento médico adequado consegue-se, na maioria dos casos, atingir o controlo da doença, prolongando os períodos de remissão, sem sintomas, melhorando, assim, a qualidade de vida dos doentes.

(Artigo publicado originalmente na edição de 10 de maio de 2018 do REGIÃO DE LEIRIA)

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