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Autárquicas 2021

Pedro Machado: “Queremos recuperar a figura do guarda-rios”

Os animais fazem parte da tríade que designa o partido, mas as preocupações do PAN não se esgotam aqui. O candidato à presidência da Câmara de Leiria tem outras propostas. Entre elas está uma rede de hortas urbanas e comunitárias.

imagem do candidato do PAN Pedro Machado no largo da república em leiria

Em 2017, o PAN elegeu um elemento para a Assembleia Municipal de Leiria pela primeira vez. Acha que a presença nesse órgão autárquico, nos últimos quatro anos, o vai ajudar agora a conquistar um lugar na Câmara de Leiria?

Nós temos essa expectativa. Sabemos que estes quatro anos foram difíceis. Houve alterações primeiro foi uma pessoa, depois foi outra, mas a Daniela sobretudo a partir do momento em que a Daniela [Sousa] é uma pessoa bastante dinâmica e que também conhece muitas pessoas em Leiria e as pessoas reconheciam-na e sabemos que a reconhecem muito pelo trabalho que ela tem desenvolvido, portanto espero que isso também nos traga alguma vantagem, algum crescimento à custa um pouco do trabalho que ela fez.

O balanço que faz desse trabalho é positivo?

Julgo que poderia ter sido melhor, mas não por responsabilidade da pessoa que lá estava. Julgo que foi da equipa no geral, porque muitas vezes foi difícil nós gerirmos, acompanharmos o trabalho por falta de experiência – é normal somos ainda muito jovens nisto – e podia ter sido melhor, podíamos ter intervindo mais, podíamos ter criado mais oportunidades de diálogo, de trabalhar mais com a autarquia. Ainda assim, sabemos que em alguns pontos sobretudo nas questões relacionadas com a causa animal contribuímos de alguma forma para se darem alguns passos. Nesse sentido, acabou por ser positivo. Claro que a nossa intenção é nos próximos quatro anos melhorarmos a nossa forma de trabalhar e crescer mais e fazer mais iniciativas, colocar mais moções, trabalhar mais no sentido de alertar para as causa que defendemos.

O que seria uma vitória para o PAN nas próximas eleições?

O objetivo principal é manter esse deputado na Assembleia Municipal. Sabendo que neste momento a dinâmica política, em termos das várias forças, está um pouco mais dispersa, manter será o objetivo número um. O número dois será passarmos de um para dois elementos. E, claro, se as coisas nos correrem bem, quem sabe, conseguir um lugar de vereação.

Uma derrota seria perder esse elemento?

Sem dúvida. 

A coligação com algum dos partidos que também esteja a concorrer em Leiria, está no vosso horizonte?

Nós nunca fomos abordados aqui em Leiria, não sei se por falta de conhecimento. Também não sei se iríamos avançar ou não. Na verdade, também anunciámos já bastante tarde a nossa candidatura. Por algumas limitações de pessoas, tivemos dificuldade em montar as listas e não quisemos estar a anunciar algo antes de termos tudo completo. Quisemos fazer as coisas de outra maneira para não corrermos o risco de chegar à altura e não conseguirmos.

“Costumamos dizer internamente, até na brincadeira, que é o efeito PAN. Lançamos as ideias, lançamos o debate e depois os outros partidos aproveitam e trazem essas medidas para os seus programas e para as suas ações. Fomos nós que nos últimos anos trouxemos vários temas relacionados com a proteção animal que não seriam falados de outra maneira”

Mas se o cenário da coligação se colocasse, estariam abertos?

Estamos sempre abertos ao diálogo com qualquer força.

Qualquer força?

Há uma força com quem tem sido impossível falar. Com o Chega são muito mais as divergências do que qualquer convergência que pudesse existir. Com os outros, claro que estamos mais próximos de partidos como o PS ou como o Bloco de Esquerda, em que as políticas e as causas muitas vezes convergem, mas isso também pode acontecer com outras forças, com o PSD por exemplo. Não estamos fechados a conversar com ninguém. Em termos de coligação nunca foi abordado aqui, pelo menos a mim nunca ninguém me transmitiu essa ideia e nós preferimos fazer o nosso caminho isoladamente. Se virmos a nível nacional, o PAN está coligado apenas em dois ou três sítios em que fez sentido aquela junção de esforços. De resto, vamos sozinhos porque sabemos que temos um caminho a fazer e queremos fazê-lo com as nossas causas sem perder muito da nossa essência. Desta vez, vamos concorrer a muito mais autarquias e queremos continuar a crescer. 

Pedro Machado tem 42 anos, é formado em Geologia e gere um restaurante em Fátima. Fotos: Joaquim Dâmaso

Não concorrem às freguesias, pelo menos aqui no concelho de Leiria.

Aqui não, precisamente porque tivemos alguma dificuldade em formar as listas e decidimos concentrar os nossos esforços neste momento naquilo que já tinha sido, assembleia municipal e câmara municipal porque nos traz esta visibilidade. Se tivéssemos apenas uma candidatura à assembleia ninguém nos convidava para entrevistas. A ideia é trazer também um pouco de visibilidade e daí terem-me feito o convite, uma vez que nem sequer pertenço à distrital de Leiria, pertenço à distrital de Santarém, sou o porta-voz da distrital de Santarém. Foi-me pedido para fazer esta candidatura porque era a única pessoa, neste momento, dentro das pessoas que estão ativas, que tinha alguma experiência. Estive nas legislativas por Santarém, então foi-me feito este pedido para ser a cara.

Sendo que o objetivo é eleger a Liliana Vieira

Sim, esse é o objetivo principal, sem dúvida. 

Embora a designação do partido seja Pessoas-Animais-Natureza, o PAN está muito conotado com a proteção dos animais. Essa não é uma visão redutora do partido?

Julgo que isso também está um pouco a ser mudado. O partido inicialmente era o Partido pelos Animais e pela Natureza, chamava-se mesmo assim, a primeira designação era essa. sabemos disso. Apesar de termos no nosso programa uma grande maioria de medidas para as pessoas, sabemos que temos essa conotação, mas também temos essa conotação porque é isso que nos distingue dos outros. Enquanto nos outros não se ouve falar – não quer dizer que eles não possam ter também essas preocupações – mas muitas dessas preocupações vieram da nossa ação, aquilo que costumamos dizer internamente, até na brincadeira, que é o efeito PAN. Lançamos as ideias, lançamos o debate e depois os outros partidos aproveitam e trazem essas medidas para os seus programas e para as suas ações. Fomos nós que nos últimos anos trouxemos vários temas relacionados com a proteção animal que não seriam falados de outra maneira. É isso que nos distingue. Neste momento, a própria ação do partido engloba, na mesma, os animais, serão sempre uma parte importante, uma parte daquela tríade que assumimos, mas a proteção da natureza no geral – ao protegermos a natureza estamos a proteger as pessoas e os animais e todos os ecossistemas – começa a ser mais a nossa forma de mostrar às pessoas o que é o PAN, que não e só proteger os animais, é proteger todos os ecossistemas, qualidade de vida das pessoas, tudo isso faz parte do mesmo pacote.

Mas estão a mudar a mensagem ou tencionam mudá-la?

Está mais amadurecida. As medidas principais que temos elencadas no nosso comunicado e que vão ser aquelas que vamos colocar mais falam muito pouco da proteção animal. Não quer dizer que depois não haja uma série de outras medidas que estarão certamente elencadas no programa, mas também queremos dar esse ênfase, de que não somos só o partido dos animais, queremos fazer esse caminho, continuar a crescer na proteção animal, no bem-estar animal, que cada vez mais seja uma realidade e uma preocupação dos nossos governantes, mas que não seja só isso.

“Queremos dar esse ênfase, de que não somos só o partido dos animais, queremos fazer esse caminho, continuar a crescer na proteção animal, no bem-estar animal, que cada vez mais seja uma realidade e uma preocupação dos nossos governantes, mas que não seja só isso”

Leiria precisa do PAN?

Julgo que sim.

Porquê?

Sabemos que Leiria é uma cidade que até tem tido alguma preocupação em algumas coisas, mas há outras em que continua a falhar de demasiado.

A esse nível quais são as principais carências do concelho?

A questão ambiental das suiniculturas, essa é óbvia que tem de ser resolvida e não pode continuar a ser tratada da forma que tem sido que é passar a mão pelas costas dos industriais e não os obrigar a contribuir decisivamente para a resolução do problema. Compreendemos que há questões económicas que se levantam, que eles não querem tirar parte dos seus lucros para essa resolução, mas os governantes têm que fazer algo em relação a isso, tem mesmo que haver uma maior pressão sobre eles.

A vossa proposta vai no sentido de colocar nas mãos dos industriais toda ou parte da resolução?

Uma parte. Temos noção de que se queremos resolver o problema temos que fazer parte da solução. Os governantes têm que ser parte da solução, mas não pode ser o Estado, através das autarquias, a construir uma central para tratamento dos resíduos, em que fica tudo a cargo do Estado, recuperar os rios, as ribeiras. Todo esse trabalho não pode ser feito só pelo Estado e pelas autarquias. Tem que haver uma maior interação. Já houve dinheiros europeus para isso e não foi resolvida a questão. Neste momento temos mesmo que avançar com soluções que comprometam todas as pessoas que estão envolvidas no problema. Não podemos continuar a fazer este jogo de empurrar com a barriga.

Em que outras questões prementes do concelho o PAN será uma mais-valia? 

Nós podemos falar da questão animal primeiramente que para nós continua a ser importante. Existe um projeto para a construção de um CROA [Centro de Recolha Oficial de Animais]. 

O que já está decidido a esse nível satisfaz-vos?

Sim, já vimos o projeto e ele é muito bom se for concretizado daquela forma, ao nível das infraestruturas. Para o dia a dia, também existem propostas muito boas, várias mais-valias daquele espaço que, se for bem utilizado, tem todo o nosso apoio. Queremos também contribuir para que possa ser ainda melhor, mas tem que avançar. Além disso, existe um regulamento animal que tem de ser monitorizado. Nós também propomos a criação do provedor do animal para poder gerir toda essa parte do bem-estar animal, não só dos animais de companhia, mas também dos animais de pecuária que tem de ser também salvaguardada.

O vosso programa fala também de uma figura que é o protetor de meios hídricos. Em que consiste?

Vai ao encontro da questão das suiniculturas, mas também da poluição ambiental em geral. Será o guarda-rios, demos-lhe um nome diferente. 

Querem recuperar essa figura do guarda-rios?

Achamos que é muito importante ter alguém que faça só esse trabalho. Existe um serviço de vigilância ambiental, mas que se preocupa muito mais onde é que as pessoas deixam o lixo, se não deixam no meio do mato, se é tudo reciclado, do que propriamente com estas questões que são realmente sérias. Não estou a dizer que as outras não sejam importantes, mas são questões cívicas que temos que ir trabalhando. Este protetor de meios hídricos foca-se somente naquele trabalho de verificar se os nossos cursos de água estão devidamente limpos e sem descargas. É muito difícil, muitas vezes, chegar a saber quem fez tal descarga porque não há quem faça imediatamente aquela ação de verificação e, com a ajuda dos populares, esse guarda-rios teria apenas esse papel. Neste momento é o SEPNA [Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente – GNR] que faz, mas muitas vezes demora muito tempo.

Este protetor de meios hídricos trabalharia em conjunto com os elementos do SEPNA?

Sim, porque depois quem tem autoridade para levantar autos é o SEPNA. Aquela pessoa fazia a ligação da autarquia com o SEPNA e fazia aquele trabalho mais focado naquilo. Não é eficaz, temos que melhorar muito a nível da fiscalização, sobretudo porque continuam a passar impunes as descargas. 

Em relação às florestas, no vosso programa propõem “uma verdadeira estratégia municipal”. Que estratégia é essa? 

Temos 50% de floresta no concelho, não é uma coisa pequena, mas existe muito pouca gestão. Preocupam-se muito hoje em dia com criar as faixas, limpar os terrenos à volta, mas isso não é uma gestão eficaz, pode ajudar nos incêndios, mas não faz com que a nossa floresta seja mais resistente. Há sempre uma preocupação maior com a produção, com a exploração da floresta do que com a manutenção e com uma gestão quer contra incêndios quer para valorizar a própria região e valorizar as pessoas que vivem nessas áreas. Nós achamos que tem que haver aqui uma estratégia de apoio quer aos proprietários quer nos terrenos que sejam municipais e que possam beneficiar com isso. Aquela faixa da mata nacional precisa imenso de ser recuperada, revitalizada, e depois é preciso haver um controlo grande. Daí nós sugerirmos um serviço de vigilância, que pode estar afeto ao serviço de vigilância ambiental que já existe, mas que também tem um foco maior, tem uma pessoa cujo trabalho seja mais direcionado para essa gestão, para o contacto com os proprietários para se perceber o que é que podemos fazer em termos de plantar espécies que sejam mais autóctones em vez de serem só eucaliptos.

E essa figura tem um nome?

Não. Nós falamos mesmo no serviço de vigilância florestal municipal que pode estar afeto ao serviço que já existe de vigilância ambiental só que por aquilo de que me apercebo, mais uma vez, esse serviço de vigilância ambiental não contempla essas funções. Achamos que deve haver aqui por parte desse serviço uma ação sobre a floresta porque sem dúvida que é um recurso para nós, para todos. É de sobremaneira importante manter a nossa floresta em bom estado e daí precisarmos de concretizar mais. 

“Não gosto muito de ser negativo, gosto mais de ser positivo, mas às vezes mais parece de greenwashing, sobretudo na questão das ciclovias. É um trabalho muito fraco em relação à estratégia para a rede ciclável para a mobilidade suave”

Estas são as maiores necessidades do concelho ou há mais alguma que identifique como grave ou muito grave?

Não gosto muito de ser negativo, gosto mais de ser positivo, mas às vezes mais parece de greenwashing, sobretudo na questão das ciclovias. É um trabalho muito fraco em relação à estratégia para a rede ciclável para a mobilidade suave. Existe uma série de sítios que já tem aqueles caminhos, mas não é uma verdadeira rede ciclável, é perigosa e o acesso à cidade por bicicletas que é perigoso e não tem condições. Nós achamos que essa deve ser uma prioridade. 

O que é que mudava nesse plano?

Tentar o máximo possível que haja realmente ciclovias ou ecovias. Prefiro chamar ecovias porque não são só os ciclistas que as utilizam.

O que temos em Leiria não são ecovias?

Temos algumas. Temos aquela do Lis que está junto ao rio, mas é mais de lazer do que para utilização diária, ou seja, para alterarmos a forma de transporte para a cidade não é com aquelas que vamos conseguir. Aliás veem-se muito poucas bicicletas a circular naquelas linhas no meio da estrada que lá existem. Tem que haver uma estratégia para criar uma rede que inclusive chegue aos acessos da cidade das outras freguesias, que chegue os outros concelhos para permitir às pessoas que vivem nos limites da cidade deslocarem-se sem ser de carro. Sabemos que hoje em dia para chegar a Leiria existem alguns autocarros, mas de resto muito pouca gente chega de comboio, porque a Linha do Oeste não tem condições nenhumas. É preciso ser alterada. Isso não é um trabalho só da autarquia, mas a autarquia tem todo o interesse, todos têm falado sobre isso e querem mesmo mudar. Temos de fazer mais pressão para que a modernização seja feita, para que o acesso ao concelho e à cidade seja feito mais por meios de transporte público ou por meios suaves e daí fazer com que a rede de transportes públicos no geral seja melhor: os autocarros de todo o concelho, uma rede boa que possa realmente suprir as necessidades que existam, a rede ciclável, rede de carregamentos de carros elétricos aumentá-la. Leiria, nisso, tem sido um exemplo apesar dos problemas que às vezes surgem com os postos, mas realmente foram feitos. Não gosto de ser negativo, mas às vezes parece quase greenwashing, eles estão lá, mas depois se não funcionarem não adianta nada. Temos de ser mais proativos nesse sentido. As questões da mobilidade em geral, para nós, são importantes e depois as acessibilidades, a cidade ser acessível para todos, julgo que tem havido um trabalho nesse sentido.

Está a falar das barreiras arquitetónicas?

Sim, isso é um trabalho que tem que ser feito em contínuo. Tenho a sensação de que algo se tem feito, mas julgo que pode e deve ser melhorado.

Em termos de espaços verdes, há alguma proposta vossa?

Sim. Apesar de a cidade já ter alguns espaços verdes, de lazer, a nossa proposta passa mais por aumento desses espaços verdes, mas sobretudo pelas hortas urbanas e comunitárias, com interações com as escolas, com as IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social], com comunidade em geral criar esses espaços por vários motivos. Primeiro pela questão ambiental, porque traz mais-valias, e depois também pela questão de sensibilizar as pessoas para a necessidade de mudarmos o nosso paradigma alimentar no sentido de termos circuitos mais curtos, seja de plantação, recolha e gestão, em vez de estarmos a mandar vir tudo de fora. Leiria é também muito conhecida pelos seus campos agrícolas e existe uma boa produção agrícola e nós achamos que devem ser incentivados projetos sustentáveis, que possibilitem também estes circuitos curtos. Se temos tanta coisa boa a ser feita aqui à volta, não faz sentido que estejamos a trazer tanta coisa de fora e enviar os nossos produtos para fora. Isso também nos parece importante e a nível de espaços verdes no geral a nossa ideia, a nossa maior bandeira será mesmo a criação de uma rede de hortas urbanas e comunitárias. 

Do ponto de vista da segurança, considera que Leiria é segura?

O que sei é que a criminalidade não é uma das maiores preocupações em Leiria. Há problemas como em todas as cidades, as cidades crescem e têm alguns problemas. Normalmente a solução é a videovigilância, tem sido ultimamente, e agora vai aumentar o número de câmaras. Para nós, o mais importante, e com algumas das medidas que até já se falaram aqui, é criar zonas vivas, ou seja, essas zonas que podem ser consideradas mais perigosas ou que tenham uma incidência de criminalidade maior, torná-las vivas. Achamos que é sempre uma solução muito mais adequada do que partir para a dissuasão através das câmaras. Se tivermos uma cidade em que aquela zona até é um ponto de risco, se tiver vida, pessoas constantemente a utilizá-la, seja através de uma horta urbana, seja através de um equipamento de lazer, que possa ser utilizado pela comunidade, isso vai dissuadir à partida quem possa usar essa zona como uma zona para cometer crimes. Isso e uma polícia de proximidade, algo que seja mais comunitário, que existe uma identificação das pessoas com os agentes que fazem o policiamento. Julgo que é mais positivo do que as câmaras. As câmaras só em último recurso e nós consideramos, até, que as câmaras devem ser usadas, mas por uma questão de segurança das pessoas, porque muitas vezes elas estão montadas, mas depois não há quem as esteja a ver. Preferimos o termo videoproteção se realmente for eficaz a monitorização das câmaras. Uma pessoa que cai na via pública e há uma câmara que vê, pode logo chamar os meios de socorro. Existe muito mais do que apenas atacar a criminalidade. Para nós é mais importante isso e criar medidas positivas de reforço das comunidades do que dissuadir a criminalidade através da videovigilância. 

O que é que os municípios devem ou podem fazer para garantir a sustentabilidade da Imprensa Regional?

Esta é uma questão que tem sido criticada a nível nacional por causa do dinheiro que foi para a imprensa que depois pode haver alguma… eu não acredito nisso. Acho que é importante aumentar a visibilidade dos meios de comunicação porque são eles que fazem, muitas vezes, a denúncia de certas situações. Muitas vezes chega primeiro aos meios de comunicação do que à própria autarquia. Nesse sentido, sim, acho que a autarquia deve contribuir. Agora de que forma? Às vezes essa questão de financiar os meios de comunicação pode ser ingrata, porque pode levar a essas interpretações.

O que está a referir é um financiamento direto, mas na sua opinião não haveria outras formas de garantir essa sustentabilidade?

Julgo que apenas ao nível de promoção, por exemplo criar prémios que possam. Sinceramente não sei muito bem como. Nestas questões é sempre muito ténue a linha entre a intervenção pública e a imprensa regional que é independente e que deve ser isenta. Sobretudo nestes meios pequenos, o nível de encaixe financeiro não é assim tão grande e fazem um trabalho que é muito importante, mas depois falta ali qualquer coisa para crescer. Não sei muito bem de que forma poderia o município intervir. Precisamente por haver essa linha ténue prefiro que consigam a sua sustentabilidade através de publicidade por mais que nos custe. Sendo meios independentes fará mais sentido.

Perfil

Natural do norte, mudou-se para a região quando decidiu abrir em Fátima um restaurante “onde se pratica a sustentabilidade e o respeito para com todas as formas de vida”. Licenciado em Geologia, 42 anos, está filiado no PAN desde 2018. Já foi membro suplente da Comissão Política Distrital de Leiria e neste momento é o porta-voz da Comissão Política Distrital de Santarém. Em 2019, foi o cabeça de lista por Santarém nas eleições legislativas.

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