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Autárquicas 2021

Vereadores do PSD em Castanheira de Pera perdem pelouros por integrarem movimento independente

Alda Carvalho, presidente da Câmara, refere ter tido conhecimento da candidatura dos dois vereadores em lista adversária aquando da afixação das listas em tribunal

A presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Alda Carvalho, independente eleita pelo PSD e recandidata ao cargo, retirou os pelouros aos dois vereadores do partido por integrarem a lista do movimento independente Mudar Castanheira 21 nas eleições autárquicas.

No despacho de avocação de pelouros, Alda Carvalho explica que teve conhecimento, no dia 3, com a afixação em tribunal das listas às eleições autárquicas, que os dois vereadores eleitos pelo PSD, João Graça e Nuno Tomás, “integram uma lista adversária ao partido pelo qual foram eleitos em 2017 e pelo qual exercem ainda as funções autárquicas de vereadores a tempo inteiro”.

Antes, a autarca nota que “a lealdade e o compromisso com a força partidária por quem são eleitos os vereadores são ainda o garante da coesão na boa, célere e eficaz gestão autárquica”, para depois sublinhar que “a confiança política é essencial para uma conduta do ponto de vista ético, relacional, institucional e funcional na gestão pública autárquica”.

Considerando que “era curial, expectável e compreensível” que por parte dos vereadores fossem entregues os pelouros delegados, a presidente da Câmara determinou que os mesmos passassem a ser por ela assumidos, deixando aqueles de exercer funções a tempo inteiro desde sexta-feira, às 17 horas, acrescenta o despacho datado desse dia.

À agência Lusa, João Graça disse ser o último suplente da lista à Câmara do movimento de cidadãos independentes Mudar Castanheira 21, liderada por Luís Oliva. Nuno Tomás vai em segundo lugar na mesma lista.

João Graça afirmou que a decisão de Alda Carvalho não o espanta e “vem no seguimento de um processo que começou no fim do primeiro ano de mandato, em que, apesar de pelouros atribuídos, tudo tinha de passar pela presidente”.

“As decisões mais banais eram entregues à senhora presidente à espera de decisão, o que não acontecia ou acontecia fora de tempo útil”, declarou, salientando que, “além disto, foram dadas indicações a vários funcionários para que não colaborassem com os vereadores”.

Segundo o vereador, “também foram retiradas competências que os funcionários tinham para agilizar processos”, sendo que “a comunicação dos vereadores com os vários serviços da Câmara foi condicionada”.

“O nosso trabalho de vereadores começou a ser bloqueado. Deixámos de ter autonomia para decidir coisas”, referiu João Graça, presidente demissionário da concelhia do PSD de Castanheira de Pera.

“Para meu espanto e de todos, a senhora presidente diz que não tem confiança política em mim e retira-me os pelouros, mas deixa-me ficar como vice-presidente. Não pode haver incongruência maior, porque vou continuar a substituí-la nas suas faltas e impedimentos”, acrescentou o vereador, que deixou de ser militante do PSD em julho.

Nuno Tomás (independente eleito na lista do PSD), que subscreve as palavras de João Graça, acrescentou que “houve uma desautorização completa das hierarquias, incluindo vereadores”.

Contactada pela Lusa, a presidente da Câmara não quis comentar, remetendo para o despacho de avocação de pelouros.

Nas eleições autárquicas de 2017, o PSD conquistou o município do distrito de Leiria ao PS, com os social-democratas a obterem três de cinco mandatos, cabendo aos socialistas os restantes dois. O concelho tem 2.522 eleitores.

Em 7 de abril, o PSD apresentou, entre outros nomes homologados pela Comissão Política Nacional do partido como candidatos a presidentes de Câmara, o de Alda Carvalho a Castanheira de Pera.

No dia seguinte, João Graça, anunciou a demissão em bloco da concelhia de Castanheira de Pera.

Na ocasião, o dirigente partidário esclareceu que na concelhia foi feita “a votação de dois nomes, Luís Oliva e Alda Carvalho, e, por unanimidade, foi escolhido o primeiro”.

“Essa indicação foi dada à Comissão Política Distrital que, em reunião, apoiou a decisão da concelhia”, adiantou João Graça, explicando que junto da Comissão Política Nacional do partido “foram apresentadas as razões e o porquê da escolha”, mas esta “entendeu que devia seguir a indicação do doutor Rui Rio [presidente do PSD] de que os presidentes de Câmara eleitos, mesmo independentes, se manifestassem intenções de se recandidatarem, eram automaticamente indigitados”.

Além de Alda Carvalho e Luís Oliva, são também candidatos à presidência da Câmara de Castanheira de Pera nas eleições marcadas para 26 de setembro António Henriques (PS) e Rui Baltazar (CDU).

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