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Mercado

Leiria avança com dois projetos concorrentes ao PRR no valor de 155 milhões de euros

Vangest e Ovolíder lideram consórcios que candidatam “Embalagens do futuro” e “VALET”, respetivamente, preparados no âmbito do Gabinete Económico e Social da Região de Leiria.

Um projeto de valorização e tratamento bio-circular de resíduos agroindustriais e outro dedicado à produção, comercialização e exportação de embalagens “Made in Portugal”, num valor total superior a 155 milhões de euros, foram submetidos ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) por dois consórcios que integram empresas e entidades de Leiria, avança o Gabinete Económico e Social da Região de Leiria (GESRL).

Segundo comunicado do GESRL, foram apresentadas no final de setembro, “duas manifestações de interesse para desenvolvimento de projetos, no âmbito das Agendas Mobilizadoras para a Inovação Empresarial, do PRR”.

O investimento em causa nos dois projetos ultrapassa os 150 milhões de euros e envolve mais de oito dezenas de entidades, entre “empresas, sistema científico e tecnológico, instituições de ensino, centros de interface tecnológica, associações empresariais e comunidades intermunicipais”, correspondendo as manifestações de interesse entregues ao “trabalho desenvolvido nos últimos 18 meses pelo GESRL”.

Os projetos

A Vangest – Engenharia Financeira e Gestão SA, da Marinha Grande, lidera um consórcio de 78 entidades nacionais – em que o Politécnico de Leiria assume a coordenação técnica – que juntam esforços no projeto “Embalagens do futuro”, candidato no âmbito dos Pactos de Inovação.

Ao longo de 48 meses e com um investimento total de 112 milhões, a iniciativa propõe a conceção e produção de novos produtos, processos e serviços, “capazes de transformar, de forma estrutural e concertada, o futuro da fileira de produção, comercialização e exportação de embalagens ‘Made in Portugal’ para o mercado global”, descreve o comunicado do GESRL.

“Pretende-se gerar novos conhecimentos e produzir novos bens e serviços de alto valor acrescentado, centrados num conceito disruptivo de ‘embalagem’ que conjugue triplamente a dimensão da ‘Ecologia’, ‘Digitalização’ e ‘Inclusão’”, acrescenta-se.

Já “VALET – Valorização e Tratamento Bio-circular de Resíduos”, é liderado pela Ovolíder – Ovos do Centro, Lda, de Santa Catarina da Serra, e tem previsto um investimento total de 43,6 milhões de euros num horizonte de 36 meses.

O plano passa por investir no tratamento e valorização de resíduos de efluentes de suinicultura, avicultura, matadouros, águas ruças de lagares e/ou outras agroindústrias que, neste momento, “estão na origem de problemas ambientais”, desenvolvendo novos produtos.

A partir desses desperdícios, “VALET” vai criar biofertilizantes sólidos e líquidos, rações para animais, energia e eco-materiais (como argamassas, betões, materiais de enchimento e placas de isolamento), avança o GESRL, produtos esses que “revelam um elevado potencial de valorização no mercado”.

“Pretende-se gerar novos conhecimentos e produzir novos bens e serviços de alto valor acrescentado, com base em princípios de economia circular, que conjuguem as dimensões ambiental, energética e de resiliência económica, apresentando uma amplitude de inovação alargada”, sublinha a informação divulgada.

Com coordenação técnica da NERLEI, o projeto é apresentado a concurso por um consórcio de 21 entidades no âmbito das Agendas Mobilizadoras.

Criado em abril de 2020, no início da pandemia de Covid-19, o GESRL integra a CIMRL – Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria e Politécnico de Leiria.

O gabinete foi criado com o objetivo de elaborar um “Plano de Medidas para o Novo Lançamento Económico e Social da Região de Leiria”, apoiado em dez grupos de trabalho temáticos e com o envolvimento de personalidades e entidades, públicas e privadas, que participaram “no processo de discussão, definição, planeamento e execução das medidas”.

“Este trabalho prévio, que foi sendo feito de forma ponderada e alargada, permitiu posicionar a região na linha da frente, da resposta aos primeiros concursos abertos no âmbito do PRR”, consideram o GESRL em comunicado.

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