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Empresas da região empenhadas no apoio aos refugiados

A oferta de medicamentos e de serviços educativos são apenas dois exemplos menos habituais da ajuda prestada aos refugiados ucranianos por centenas de empresas do distrito de Leiria

A Ovopor, que se dedica à produção de ovos, pagou medicamentos

Há centenas de empresas do distrito de Leiria, de diferentes dimensões e áreas de atividade, a participar no esforço voluntário de apoio aos ucranianos, os refugiados e os que permanecem no seu país em guerra. Há exemplos em todas as áreas, com ofertas desde emprego a serviços na área da educação.

O vestuário e os produtos alimentares constituem as entregas mais visíveis, mas há também organizações que optam por donativos em dinheiro ou pelo financiamento da aquisição de medicamentos, como fizeram em parceria a Ovopor e a Dercol.

A Ovopor envolveu-se na “situação humanitária” na sequência de um “pedido de contributo” feito por uma família ucraniana que trabalha na empresa, nos Milagres. “O encarregado da nossa exploração avícola pediu-nos ‘medicação de guerra’, de acordo com a opinião de médicos em Portugal e de contactos na Ucrânia”, explica o administrador, Rafael Neves.

“O que nos pediram foi um determinado tipo de medicamentos e a Ovopor, em conjunto com a Dercol [empresa de derivados de resina, em Albergaria dos Doze] investiram por igual na aquisição dos medicamentos, que encheram uma palete”, explica o administrador da Ovopor.

A ajuda, com o valor de cinco mil euros e adquirida em farmácias do concelho, já chegou ao destino. “Nós fizemos aquilo que mais nos pediram, que era enviar medicamentos, para situações graves, e seguiram os que nos foram indicados por médicos, acompanhados das respetivas prescrições e outras indicações”, adianta Rafael Neves, referindo que na palete também seguiram máscaras e outros artigos, mas no essencial foi enviada ‘medicação de guerra’ [como analgésicos, anti-inflamatórios, soros e outros para curar ferimentos e dores graves].

Já o UP – Centro de Estudos da Batalha ofereceu-se para participar no apoio humanitário numa área muito diferente. “Nesta altura, o que nos ocorreu foi fazer um dicionário ilustrado com as palavras básicas do dia-a-dia para que as crianças recém-chegadas se possam fazer entender”, explica Susete Neto, administradora da empresa.

O centro de estudos “foi apanhado de surpresa” por uma avó ucraniana, que acaba de alojar dois netos, refugiados da guerra, que pediu apoio porque as crianças não sabem falar português. “Ela veio com a mãe dos meninos, que já os tinha inscrito na escola e pretendia mais algum apoio. Foram os primeiros a chegar até nós, mas estamos disponíveis para apoiar mais, ao nível educativo, psicológico e noutras áreas, através de uma clínica nossa parceira”, adianta Susete Neto.

O UP está a colaborar também na recolha de bens, sobretudo de material escolar, para enviar para a Ucrânia e para entregar aos refugiados. Como outras empresas que divulgaram ações na Internet, por exemplo nas áreas da construção, indústria, transportes, comércio de automóveis ou de eletrodomésticos.

Ofertas de emprego e facilidades de acolhimento

O grupo Lusiaves é um dos que divulgou ofertas de emprego. “Perante a necessidade de apoiar pessoas que, devido à guerra, se viram forçadas a abandonar a Ucrânia, disponibiliza-se para dar trabalho àquelas que, neste contexto, venham para o nosso país”, refere em comunicado.

“Há possibilidade de admitir colaboradores nas unidades de produção industrial, nos centros de distribuição e nas explorações avícolas”, adianta a empresa, que também “presta o apoio necessário no processo de legalização e de integração”.

O grupo NOV, por seu lado, afirma-se “solidário com o povo ucraniano”, apela à paz numa “guerra completamente injustificada”, e anuncia “um apoio especial aos colaboradores ucranianos para a mitigar os impactos severos no seu bem-estar e segurança, assim como dos seus familiares e amigos”.

Por isso, “vai oferecer dois dias” a estes colaboradores “destinados ao acolhimento de refugiados familiares ou amigos”. Paralelamente, “aprovará tempo adicional ou outras necessidades específicas que as dezenas de colaboradores ucranianos apresentem, para facilitar o acolhimento dos seus compatriotas”.

Em simultâneo, o grupo NOV apresentou “50 ofertas de trabalho, para diversas funções, destinadas a cidadãos ucranianos”, através da plataforma “Portugal For Ukraine”. O Standelétrico, Caves Vidigal, Correntoriginal (transportes), Transfor, Verdasca Group (construção), Rosários 4 (têxtil), Americana (papelaria e livraria), Eternobom (eletrodomésticos), Carlos Baptista (comércio de ferragens) e Clara&Gema (produção de ovos) são exemplos de outras empresas solidárias com o povo ucraniano.

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Indústria, agricultura e construção mas também engenharias, informática, metalomecânica, medicina, veterinária, geriatria e hotelaria. São estas as principais áreas para as mais de 350 vagas de emprego para cidadãos ucranianos que estão a ser disponibilizadas através das empresas da Associação Empresarial da Região de Leiria (Nerlei) e da Associação Empresarial da Região Oeste (AIRO).
Com o objetivo de procurar a melhor e mais eficaz articulação no acolhimento dos refugiados, a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria lançou “SOS Ucrânia – Região de Leiria”, uma plataforma de recursos e alojamentos nos 10 municípios da região de Leiria. A intenção é, em breve, reunir condições para ajudar um milhar de refugiados

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