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Marinha Grande

Governo anuncia mais 3,2 milhões de euros para recuperação do Pinhal de Leiria

Mais três projetos de reflorestação, proteção e prevenção vão avançar, com prazo de conclusão até 2025.

O ministro Pedro Siza Vieira defende que o Estado deve "dar o exemplo" sobre como "cuidar bem do território florestal"

Mais 3,2 milhões de euros vão ser investidos na recuperação do Pinhal de Leiria até 2025, anunciou o Governo esta sexta-feira, 18 de março, no âmbito da apresentação do Plano de Investimentos para os Territórios Florestais sob Gestão do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Na Marinha Grande foi apresentado um pacote que integra 49 projetos para 13 matas nacionais e 30 florestais em todo o país.

Desses, três projetos são para a Mata Nacional de Leiria (também conhecida por Pinhal de Leiria ou Pinhal do Rei). As intervenções protocoladas ascendem a 3.242 milhões de euros e vão beneficiar uma área total de 5.412 hectares, além das intervenções já em curso em curso.

No edifício da Resinagem, o secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Catarino, especificou que 2,1 milhões desse valor será destinado à rearborização de ardidos, enquanto 1.7 milhões serão encaminhados para os trabalhos de aproveitamento da regeneração natural pós-incêndio de 2017. 790 mil vão ser usados no controlo de pragas, como o nemátodo, e 600 mil serão investidos no controlo de invasoras lenhosas. Perto de cem mil euros servirá para criar mosaicos de parcelas de gestão de combustível, diversificando o tipo de árvores para defesa da floresta contra incêndios.

Durante uma visita aos trabalhos que já decorrem na Mata Nacional de Leiria, o presidente do ICNF, Nuno Banza, avançou que, “entre o que já foi investido e o que está contratualizado até 2025, andaremos à volta dos 10 a 12 milhões de euros” dispendidos na recuperação pós-incêndio de 2017.

No périplo que percorreu zonas onde foi utilizada a plantação de pinheiros e outras onde a opção foi a regeneração natural, o responsável do ICNF prometeu que “todas as árvores que forem plantadas e não vingarem, serão substituídas por outras”, até “garantir a densidade necessária para formar o pinhal”.

“Faremos o acompanhamento [necessário] até chegarmos daqui a 70 ou 80 anos e voltarmos a ter um pinhal de Leiria mais resiliente, com ainda melhores condições para fazer face às ameaças e que reporá aquilo que é a memória de muitos”, garantiu Nuno Banza.

O ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, também participou na cerimónia e assumiu na Marinha Grande ser “preciso que o Estado comece por dar o exemplo” na preservação das matas.

Exemplo disso, apontou, é o Plano de Investimentos para os Territórios Florestais sob Gestão do ICNF, que, a juntar à intervenção acima descrita na Mata Nacional de Leiria, contempla um total de 20 milhões de euros a investir em todo o país até 2025.

Na Marinha Grande, o ministro assumiu que o Estado tem “o dever de cuidar bem do território florestal e de pastagem” e, por isso, “foi tão traumatizante o incêndio que destruiu o Pinhal do Rei [Mata Nacional de Leiria] em 2017, que está confiado ao Estado”, acrescentou.

O governante considerou que, “muito justamente”, há da parte da população “expectativa e ansiedade” relativamente “à forma como iríamos ser capazes de recuperar e investir nos territórios sob gestão pública”. 

Pedro Siza Vieira antecipou uma mudança de atitude que terá de acontecer perante a necessidade de Portugal cumprir, até 2050, a meta da neutralidade de emissão de gases de estufa.

O país precisa de “aumentar a capacidade do solo, a capacidade da vegetação, da nossa floresta absorver CO2” e para isso é preciso “aumentar a floresta que temos, cuidar melhor dela, termos de a encarar não apenas como recurso económico, mas também como algo que está ao serviço do planeta, da biodiversidade, da nossa população”, frisou.

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