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Cultura

Muitos filmes, novidades e até um desafio para o público no Leiria Film Fest

A nona edição do festival internacional de curtas-metragens de Leiria arranca esta quarta-feira, dia 25, ao final da tarde. Há 48 filmes a concurso num ano em que o Leiria Film Fest arrisca e dá mais uns quantos passos em frente.

"Mesa posta", de Beatriz de Sousa, um dos filmes a projetar no sábado, na secção não-competitiva dedicada a realizadores da região Magda Silva

À nona edição do Leiria Film Fest, novo salto em frente. Já passou uma década desde a estreia do festival internacional de curtas-metragens de Leiria e é tempo de amadurecer. “É a primeira vez que temos os cinco dias mais completos. Estamos a arriscar, para ver como o público responde”, explica Bruno Carnide, um dos responsáveis pela organização. Por isso, há novidades este ano: desde logo as sessões competitivas, a “doer”, arrancam mais logo à tarde, 25 de maio, uma quarta-feira.

Por outro lado, os filmes de autores de Leiria deixam de competir, passando a ser exibidos mais, divididos por duas sessões. Em contrapartida, estreia-se o prémio para filmes até 2 minutos e, além disso, em nome da qualidade da seleção, pela primeira vez os candidatos estrangeiros pagaram inscrição.

Mesmo assim, apresentaram-se a concurso mais de 650 filmes de 61 países – e cerca de quatro centenas chegaram do estrangeiro. Foram escolhidos 48 para as categorias Ficção, Documentário, Animação e Micro Filmes.

“Se não arriscarmos, ficamos sem perceber”, reforça Bruno Carnide, sobre a aposta nas inscrições pagas e também nas sessões disseminadas por cinco dias, mais pequenas e em horários mais compatíveis para o público.

O diretor do festival acredita que, depois da crise pandémica, os espectadores estão “mais à vontade para encher salas, sem os receios que houve no ano passado”. Ainda assim há alguma expectativa: “Já lá vão dois anos desde que enchemos a sala do Teatro Miguel Franco”, recorda.

Entre as alterações, destaque para a suspensão do prémio para filmes com assinatura local. “Decidimos tornar numa mostra não competitiva, para não haver qualquer tipo de conflito de interesses”. Assim, os realizadores que participam na organização do Leiria Film Fest (a começar pelo próprio Bruno Carnide e por Cátia Biscaia, que acaba de ganhar um prémio com a sua primeira curta), também exibem as produções próprias. “Queríamos que fosse uma sessão representativa do cinema regional” e a alteração permitirá mostrar mais produções, num total de dez filmes. “As sessões locais eram sempre bastante concorridas. Talvez houvesse mais vontade de ver os filmes feitos cá, do que saber qual era o melhor”.

Já a aposta nos micro filmes oferece novas linguagens e narrativas cinematográficas ao público do festival. “São curtas que acabam por nunca maçar. Por mais estranhas que possam ser, são fáceis de ver”.

Bruno Carnide admite que, quando o Leiria Film Fest surgiu, em 2013, “era impensável” chegar onde chegou. “Ainda não estamos a pensar na décima edição mas, uma de cada vez, já chegámos às nove”. O festival consolidou-se, reorganizou-se – tem agora 12 jurados para quatro competições e também arrisca.

Por exemplo, este ano será apresentada mais ficção científica do que nunca e, no encerramento, há uma surpresa: um filme que “dialoga” com a plateia.

“Será uma experiência, para ver como o público reage”, antecipa Bruno Carnide. “Work it class!”, do espanhol Pol Diggler é exibido no final da sessão de sexta-feira, dia 27. “Se o público ficar quieto, será um momento estranho. Mas se alinhar, será diferente! Vamos ver como resulta”.

É outro dos passos em frente do Leiria Film Fest, que “pensa sempre no público que está na sala”. “Talvez por isso o festival tenha tido o sucesso que tem. Mas este ano tentámos ainda mais que a seleção fosse ao encontro do espectador”. A nona edição do festival começa ao final da tarde, com a primeira secção de curtas exibida às 18 horas, no Teatro Miguel Franco. Programa completo disponível em leiriafilmfest.com.

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