Acordar um dia sem uma imprensa livre seria um retrocesso civilizacional perigoso, uma porta aberta ao fim da democracia e da liberdade, o ponto final no escrutínio independente de poderes e na fiscalização de direitos universais.

85 anos depois do seu nascimento, o REGIÃO DE LEIRIA (RL) é o único título que se mantém no ativo, entre a meia dúzia de publicações que eram editadas em outubro de 1935.

Nesta semana, assinalam-se os 85 anos da aventura sonhada por José Baptista dos Santos, o visionário sem medo de publicar um jornal, numa época em que apenas uma minoria sabia ler e escrever.

No ano de nascimento do RL, o analfabetismo atingia cerca de dois terços da população, mas o número de jornais existentes em Leiria era o dobro do que se verifica atualmente.

Por aqui se vê que crescemos tanto, mas evoluímos tão pouco. Com maior espanto ficamos quando constatamos que os títulos existentes em 2020 lutam diariamente pela sua sobrevivência.

A caminho dos anos 30 do século XXI, perdemos a dinâmica da imprensa do século passado, atravessamos dias onde a comunicação que mais espaço conquista é feita por contrainformação, notícias falsas e manipulação.

Nos relatos que falam deste século, os historiadores irão um dia encontrar referências a presidentes eleitos em cima de mentiras.

Entre os algoritmos que tomam o pulso de cada um e a propaganda que chega a todos, cresce a ameaça aos regimes democráticos e a instituições seculares.

Estamos enrolados em bases de dados que esmiuçam a geografia onde cabe todo o universo. Os ditadores e populistas dominam estas armas e muitos estão já entrincheirados, com todo um arsenal que é marca deste tempo.

Contra o bafafá da propaganda e da manipulação, a imprensa livre e independente é a única alternativa. 85 anos depois, o REGIÃO DE LEIRIA é mais imprescindível que nunca.