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José Vitorino Guerra

Tempo incerto: Despesas!

Os autarcas recebem dos cidadãos, do Estado e da UE os meios para concretizarem os seus programas e políticas. Espera-se rigor na aplicação das verbas, uma clara definição das prioridades e, como resultado, o desenvolvimento do concelho e consequente melhoria da qualidade de vida. Todavia, muito dinheiro perde-se em projectos falhados e más políticas, para não falar da promoção da glória de quem o gasta.

Vejamos alguns exemplos. Desistiu-se da construção do pavilhão multiusos, o projecto terá custado mais de 300 mil€. Abandonou-se a substituição do colector unitário de esgotos da Av. Heróis de Angola, obra orçamentada em cerca de 8 milhões de euros e que tinha sido sujeita à aprovação de fundos comunitários. A obra é fundamental para estabilizar a superfície e as estruturas vizinhas. Preferiu-se fazer arranjos florais na Avenida que, caso se acelere a degradação das condutas dos esgotos, serão deitados a perder.

Fez-se aprovar uma obra para o topo Norte do estádio, no montante de 13 milhões, com uma derrapagem de 75%, em relação ao projecto inicial e com um custo previsto de cerca de 240 mil€ na concepção arquitectónica. A derrapagem dos custos finais é uma certeza, o retorno uma séria dúvida!

Aprovou-se um projecto para a reabilitação do Largo de S. Pedro com um custo de 970 mil€, obra que não pode ser considerada prioritária, pese o interesse histórico do local ou a existência de financiamento da UE.

Cantaram-se loas à vinda da Taça da Liga para Leiria, durante um triénio. O custo total divulgado será de 600 mil€. Verba escassa para tantas obrigações assumidas! A CML cede o estádio gratuitamente, contrai diversas responsabilidades nas actividades a realizar e até vai suportar o “media partner” da Liga. Foram ainda aprovados cerca de 430 mil€, para reparação das instalações técnicas do estádio. Não parece ter sido relevante o contexto da pandemia nem a incerteza que gera sobre eventos desta natureza!

Em “investimentos” televisivos vão 300 mil€! A lista podia-se prolongar pelos contratos de consultadoria e os ajustes directos para os mais diversos sectores! A candidatura a Capital Europeia da Cultura passou os 600 mil€. Ao menos para o próximo ano aumentem o montante de 25.000€ que atribuem a bolsas de estudos para alunos carenciados do ensino superior!

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Artigo publicado na edição de 22 de outubro de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)