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Sociedade

Fernando Costa defende extinção de empresas municipais

O presidente da Câmara de Caldas da Rainha defendeu a extinção das empresas municipais que considerou depauperarem o erário municipal e só servirem para fugir ao cumprimento da lei.

O presidente da Câmara de Caldas da Rainha, Fernando Costa, defendeu hoje a extinção das empresas municipais que considerou depauperarem o erário municipal e só servirem para fugir ao cumprimento da lei e ”dar emprego ao boys partidários”.

“Só são precisas empresas municipais para fugir ao cumprimento da lei, para dar emprego aos boys partidários ou porque a câmara é incompetente para gerir os assuntos municipais” disse à agência Lusa o autarca, cuja câmara não tem qualquer empresa.

Há 25 anos a liderar o concelho com 50 mil habitantes e um orçamento de 50 milhões de euros, o autarca é contra a criação de empresas municipais por entender que “só são boas para depauperar o erário municipal”.

“Nas Caldas, a Câmara é competente e nunca precisámos de uma empresa municipal (…) não precisamos de fugir à lei e não temos a preocupação de criar empregos a gestores que por muito que façam nunca justificam o ordenado que recebem” explicou.

A posição do presidente surge após o Governo ter anunciado a criação de uma comissão que ficará encarregue de estudar, até ao final do ano, a reforma do sector empresarial das autarquias, num trabalho que será coordenado com a Associação Nacional de Municípios.

“O grande problema das empresas municipais começa pelos vencimentos, bónus e autonomia dos conselhos de administração, que podem gastar quanto lhes apetece porque no final as câmaras é que pagam” sustentou.

“Acho muito bem que acabem porque se as câmaras não são capazes de gerir os seus interesses sem empresas municipais então os presidentes de câmara que vão à vida”, acrescentou o autarca sublinhando que “se a câmara das Caldas tivesse empresas municipais já estava ‘falida’”.

Fernando Costa assegurou que Caldas da Rainha não faz ainda parte do lote de uma em cada dez câmaras do país que, segundo o secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, estão “financeiramente insolventes”, admitindo contudo nunca ter sentido “tantas dificuldades financeiras como agora”.

Com uma dívida à banca na ordem dos cinco milhões de euros, “a câmara das Caldas está numa situação bastante razoável, das melhores do país” referiu o presidente, defendendo a “necessidade de rigor”.

“Cortámos no correio, na água, nas máquinas fotocopiadoras, na energia elétrica, e, em todo o serviço que é consumo há um forte cuidado para que se gaste o mínimo possível” disse o autarca para quem “todas as medidas para retrair o endividamento das câmaras são bem vindas”.

“As câmaras endividaram-se de mais, e os presidentes que endividaram as câmaras a torto e direito, alguns para fazer fogo-de-vista. Deviam ser responsabilizados pelo Estado a que deixaram chegar as finanças das autarquias”, referiu.

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