A Comissão Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres (CADRM) denunciou hoje “um atentado ambiental” em resultado de uma nova descarga poluente naquela ribeira, em Leiria

Foto de arquivo

“Eram 8h10 quando fui confrontado com o cheiro e detectei toda aquela espuma que está na água”, disse à Lusa Rui Crespo, o porta-voz da CADRM, acrescentando fez de imediato queixa à GNR.

Rui Crespo garante não existirem dúvidas de que se trata de uma descarga suinícola e lamentou “a ausência de fiscalização, que normalmente funciona por reacção”.

O porta-voz da CADRM sublinhou ainda sem se avançar para a construção da Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ETES), na freguesia de Amor, “esta situação irá repetir-se ciclicamente”.

Contudo, o responsável alertou que a ETES não irá resolver todos os problemas “dada a forma como estão distribuídas, em cima dos cursos de água e da própria ribeira”, considerando “inadmissível como é que hoje ainda existem explorações com condutas ligam diretamente à ribeira”.

Hoje a descarga foi mais visível, acredita, “porque os suinicultores estavam ainda à espera que a chuva continuasse”.

Esta é a segunda descarga poluente na ribeira dos Milagres denunciada esta semana pela comissão.

À Lusa, na segunda-feira, no dia da primeira descarga, fonte do Ministério do Ambiente assegurou que a Administração da Região Hidrográfica do Centro estava a acompanhar de perto a situação no terreno através da sua equipa técnica, juntamente com a equipa do SEPNA” (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR).

A mesma fonte afirmou nessa altura que “estão a ser desenvolvidos todos os procedimentos habituais, o que inclui a tentativa de identificação da proveniência da descarga e, em caso positivo, o levantamento do respetivo auto”.

Contudo, o Ministério, na ocasião, não respondeu à questão colocada pela Lusa sobre a ETES (Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas) de Amor, não se sabendo qual o ponto de situação atual de um projeto prometido há mais de uma década e que resolveria o problema dos efluentes suinícolas na região de Leiria.

A região de Leiria é uma das zonas com maior número de suiniculturas do país, causando um impacto ambiental, ainda por resolver, equivalente a quase um milhão de pessoas.

Lusa