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Sociedade

Utentes da Linha do Oeste pedem reacção contra fim do serviço de passageiros

Comissão de Defesa da Linha do Oeste considera preocupante a desativação do serviço de passageiros entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz. Autarcas e especialistas criticam Governo.

A Comissão de Defesa da Linha do Oeste considera preocupante a desativação do serviço de passageiros na linha do Oeste, entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz, e apela aos autarcas que se insurjam contra esta medida.

Anúncio do fim do serviço de passageiros na Linha do Oeste provocou cascata de críticas (foto: Joaquim Dâmaso)

“Até ao final da semana vamos definir medidas para denunciar esta situação extremamente preocupante e apelamos aos autarcas da região, que se insurjam contra a medida que tem consequência muito gravosas para a população”, disse à Lusa José Rui Raposo, da Comissão de Defesa da Linha do Oeste.

José Rui Raposo reagia ao anúncio de o Governo vai desativar, até final do ano os serviços de passageiros nas linhas ferroviárias do Leste, do Vouga e do Oeste, entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz, segundo um documento preliminar a que a Lusa teve acesso.

“Não faz sentido nenhum que esta linha [Oeste] seja apenas para transporte de mercadorias”, afirma José Rui Raposo, sublinhando a importância daquela que “é a única linha paralela à Linha do Norte” e que se revestirá de “importância estratégica fundamental se houver um acidente grave que impeça a circulação ferroviária no Norte do país”.

Para além de “um importante revés para a requalificação da linha” – que a comissão tem reclamado, junto do Governo e da REFER – a supressão do transporte de passeiros vai, no entender da comissão, “contribuir para a degradação das infraestruturas e equipamentos” da ferrovia que atravessa três distritos [Lisboa, Leiria e Coimbra] do litoral, com elevada densidade populacional”.

Segundo José Rui Raposo, “não deixa de ser significativo que se perca a ligação entre o Oeste e Coimbra, um percurso utilizado por bastantes pessoas e para o qual nem sequer é grande a competição dos transportes públicos rodoviários, quer ao nível de preços quer dos tempos de viagem”.

Dados que levam a comissão a questionar se “este não será apenas um primeiro passo para a seguir anunciarem o encerramento de toda a linha, entre o Louriçal e Torres Vedras” quando, “aquilo que se deveria fazer era requalificar a via e aumentar as suas potencialidades não apenas como fator de ligação entre povoações mas até de acessibilidade a zonas turísticas”, conclui José Rui Raposo.

O documento que define as linhas orientadoras para os transportes entre 2011 e 2015, a que a Lusa teve acesso, define o final de 2011 como data limite para a desativação do serviço de transporte de passageiros na Linha do Oeste, entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz, mantendo-se a linha ativa para o transporte de mercadorias e sendo assegurado transporte rodoviário alternativo.

Entretanto, os presidentes das câmaras de Leiria, Nazaré e Figueira da Foz manifestaram-se contra a supressão do serviço de passageiros na Linha do Oeste entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz. Ao protesto juntaram-se também os deputados do PSD eleitos por Leiria.

O presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-Ferro, Nelson Oliveira, admite que partes da rede ferroviária está “desadequada” à realidade, mas critica os encerramentos previstos para as imediações de Leiria, e também Espinho e Aveiro, “zonas com uma densidade populacional extraordinária”.

Crítico dos encerramentos previstos é também o especialista em comboios Manuel Tão, afirmando que são “uma estupidez completa” e reveladores de “uma tremenda falta de estratégia para o futuro”.

Já o empresário Henrique Neto, da Marinha Grande, considera que o Governo está, “mais uma vez, a enganar os portugueses” ao dizer que abandonou o projeto da alta velocidade: “Prometeram que o congelariam por falta de verbas e agora vão construir uma linha que tem todas as características do TGV e chamam-lhe de mercadorias”.

Lusa