Tudo começou por causa de um gato. Teresa Silva adotou um felino que teimava em brincar – e destruir – o presépio que havia dentro de casa. Para acabar com aquela inquietação, a mulher não esteve com meias medidas: mudou as figuras bíblicas para o jardim.

Teresa Silva: “Enquanto for viva, vai sempre haver presépio” (fotografia: Joaquim Dâmaso)

O presépio a céu aberto foi crescendo e, duas décadas depois, já ocupa uma área de 22 metros quadrados. E atrai dezenas de curiosos todos os anos.

Hoje, o presépio de Teresa dificilmente passa despercebido a quem passa por Martingança (Alcobaça). Ali, à beira da estrada, alinham-se 1.400 figuras, rodeadas de musgo, rios e lagos. Há de tudo: desde peças centenárias e tradicionais a outras mais recentes e desconcertantes compradas pela família de Teresa Silva ou oferecidas por amigos e turistas. Alguma vez pensou incluir uma zebra num presépio? Neste existe uma.

É que, sem se aperceber, Teresa Silva gerou um efeito bola de neve: quanto maior ficava o presépio do seu jardim, mas desconhecidos lhe apareciam à porta a oferecer figuras para juntar às que já lá estavam. “Tive o contributo de muita gente. Há pessoas que têm restinhos de presépios e mos vêm dar, porque gostam de os ver aqui”, explica Teresa.

Porém, no meio de centenas de peças, há algumas que são especiais, porque fazem parte da história da família. É o caso de uma figura moldada em 1833 e que foi oferecida a Teresa quando ela tinha apenas 6 anos. “A minha mãe tomava conta da casa de uma condessa. Foi lá que eu vi esta peça. Achava-a muito bonita e acabaram por oferecer-ma”, relata.

Também as memórias do marido de Teresa, que faleceu recentemente, estão guardadas no presépio. “Tenho aqui peças que eram dos pais dele. Têm mais de 70 anos”, descreve a mulher. E há ainda as recordações dos dois, enquanto casal, gravadas nas figuras que foram comprando ao longo da vida.

Durante duas décadas, Teresa montou o presépio em dezembro e desfê-lo depois das festas de Natal. Este ano, pela primeira vez, o presépio ficou à vista, de um ano um para o outro. Por questões de saúde, a mulher não teve forças para o guardar. O resultado? Até no verão apareceram curiosos lá em casa. Por isso, a mulher garante: “enquanto for viva, vai sempre haver presépio”.

Tanta dedicação só pode ser genética. Dúvidas? A história do filho de Teresa comprova-o: ainda há pouco tempo “roubou” 300 peças à mãe e levou-as para França, onde vive e já começa a fazer sucesso com o presépio que montou no jardim.

(Notícia publicada na edição de 14 de dezembro)