Sim, provavelmente já conhece o Mosteiro da Batalha. Mas dificilmente o viu como agora, e a partir do verão, será possível. Ao longe já se notam diferenças: a recuperação exterior do monumento avança e o coruchéu está resplandecente, após a limpeza da pedra terminada no final de fevereiro.

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Ver o Mosteiro e a Batalha de uma nova perspetiva será possível a partir do verão (fotografia: Joaquim Dâmaso)

A intervenção começou em outubro de 2013 e culmina no fim de março. Os 750 mil euros investidos pagam a conservação do mosteiro, limpeza dos terraços e substituição de elementos de pedra. Nas próximas semanas serão instalados passadiços metálicos para permitir passear em espaços antes inacessíveis.

No verão, o diretor do monumento espera disponibilizar aos turistas esta proposta inédita e algo arriscada: um circuito limitado a grupos de 12 pessoas maiores de 16 anos, que terão de assinar um termo de responsabilidade para visitar os espaços superiores do Mosteiro.

“É uma possibilidade muito interessante de ir aos pontos mais altos da nave central. Será inédito poder visitar os terraços de modo regular. Queremos que estejam acessíveis, porque permitem uma visão geral do monumento”, explica Joaquim Ruivo.

Os espaços que durante séculos serviram só para aceder ao relógio de pesos e ao órgão, prometem tornar ainda mais apetecível a visita ao Mosteiro da Batalha, a comemorar 30 anos de classificação como Património da Unesco.

O almoço do Marquês

Há 400 anos que é assim: uma vez por semana, o Marquês almoça no Mosteiro da Batalha, tal como faz em Alcobaça e Tomar. É o ponto de partida para a encenação que o grupo “O Nariz” promove, contando histórias do monumento.

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O grupo “O Nariz” conta aos mais novos as histórias do Mosteiro

A aposta cumpre o objetivo de Joaquim Ruivo: reformular o serviço educativo com circuitos pensados para alunos do básico ao terceiro ciclo e ateliês pedagógicos que expliquem, por exemplo, como foi possível construir o mosteiro.

As visitas começam na porta principal, passam pela Capela do Fundador, Claustro Real e Sala do Capítulo, até ao Claustro Afonso V. “Os alunos já conheciam o Mosteiro, mas foi mais interessante para eles. Aprenderam coisas novas e a atenção foi captada pelos atores”, explica o professor Fernando Sarmento, do Agrupamento de Escolas da Batalha, após uma sessão com 24 alunos do 6º ano.

A intenção é fazer crescer o pacote de visitas, criando aliciantes para um regresso. Também há a ideia de as traduzir para inglês, servindo turistas estrangeiros adultos.

Joaquim Ruivo gostava que, no final deste passeio com o Marquês, “os alunos se entusiasmassem de modo a voltarem, com os pais, e passassem a ver o Mosteiro com outros olhar. A médio prazo, isso ajuda-os a aprender o valor do património e da História de Portugal”.

Manuel Leiria
manuel.leiria@regiaodeleiria.pt

(Notícia publicada na edição de 6 de março de 2014)