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A vizinhança da fé está sarapintada no santuário que aguarda pelo Papa

Carlos Almeida vem de Leiria. Chegou hoje e é hoje que vai sair. É um peregrino na multidão multicolor e multinacional que gradualmente enche o recinto do Santuário de Fátima.

“Vim de expresso, de Leiria, e venho ver o Papa”, adianta. Não é a primeira vez que vem a Fátima, mas confessa que nesta data se conjugam três fatores que acrescentam interesse à peregrinação: “a santificação dos pastorinhos, a vinda do Papa e os 100 anos das aparições”. Do Papa, Carlos Almeida espera a mensagem que Francisco “já transmitiu: esperança e paz”.

É a fé que o move, confessa este leiriense. Vizinha na fé, e até na relativa proximidade geográfica, Irene Figueiredo nasceu na região de Coimbra, mas conta com 64 anos de vivência na Venezuela. “Tenho o coração dividido, tenho um filho na Venezuela e outro em Portugal”, explica. Todos os anos vem a Fátima, “com muita devoção mas este ano com muito mais”.

A difícil situação que se vive no país da América do Sul leva-a a “pedir pela paz e liberdade na Venezuela”. Afinal, o país “está numa situação de guerra e temos uma situação de jovens que morrem vítimas de uma agressão desumana”. Irene Figueiredo adianta que em Fátima estão “muitos venezuelanos que pedem e rogam” pela paz no país. “Há muitos jovens nas ruas e que não têm futuro no seu próprio pais. Rogo à virgem de Fátima que interceda pela Venezuela e por todo o mundo”, reforça.

Não muito longe, um grupo de 52 chineses, provenientes de Pequim, aguardam o desenrolar das cerimónias. E porque vieram, pela primeira vez ao Santuário? Porque “amamos Fátima”, ensaia um dos elementos em inglês.

O fenómeno de Fátima transforma em vizinhança a distância quotidiana. A fé parece ser o denominador comum. Que o diga Helena, japonesa a residir na Alemanha mas que está em Fátima, numa das filas da frente junto ao altar onde vão decorrer as celebrações. Pede pela paz. “Vejo nos noticiários as notícias da guerra e da violência na Síria e noutros locais. Peço pela paz”, adianta.

A paz é também a preocupação de quem zela pela normalidade da peregrinação. No fundo do Santuário. Fernando Sousa, bombeiro de primeira dos voluntários de Vieira de Leiria, revela que a operação de apoio aos peregrinos está a decorrer com bastante normalidade, sem nenhum caso grave.

“Está tranquilo, esperava ter mais serviço que tivemos até agora”. Está em trabalho pelo menos até à meia noite de hoje. Mas a presença em Fátima não lhe é indiferente. “Sou católico, não sou muito praticante e respeito. E quando vou, vou com devoção”.  Afinal, Fátima é uma coordenada de vizinhança no mapa da fé que a invade.

Carlos S. Almeida (Texto)
carlos.almeida@regiaodeleiria.pt
Joaquim Dâmaso (Fotografia)
joaquim.damaso@regiaodeleiria.pt

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