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E se o seu dia de trabalho começasse com uma massagem? Há escolas onde começa

As crianças do jardim-de infância de Outeiro da Fonte nunca tinham ouvido falar em mindfulness. Mas hoje, são “experientes” em técnicas de relaxamento, meditação e respiração e conseguem cada vez mais focar a sua atenção

No jardim-de-infância de Outeiro da Fonte, as quartas-feiras começam com uma sessão de relaxamento e meditação Têm apenas entre 3 e 6 anos mas já não dispensam a sessão semanal de meditação e atenção plena que os ajuda a relaxar e a prepararem-se para um dia de trabalho e de brincadeira. Sentadas em mantas estendidas no chão, as 22 crianças que frequentam o jardim-de-infância (JI) de Outeiro da Fonte, na freguesia de Monte Real e Carvide, Leiria, colocaram-se aos pares, na quarta-feira da passada semana, para dar e receber massagens, obedecendo sem resistência, entre o silêncio e alguns sussurros, à voz pausada de Ana Simões, instrutora de meditação e relaxamento. Começaram por “sacudir o pó” dos ombros e dos braços dos colegas, fizeram “rolar” os punhos fechados pelas suas costas, provocando algumas cócegas e risadas, massajaram ombros e cabeça como “se estivessem a espalhar champô” e desenharam corações na face dos parceiros, preocupados em lhes dar conforto e em seguir o exemplo da instrutora. Na sessão que contou com a participação de algumas mães, meninas e meninos tentaram ainda sentir o coração do colega, colocando-lhe a mão no peito, e, com os olhos fechados, procuraram deter-se na vibração do toque dos címbalos. Uma bola colorida que Ana Simões fazia abrir e fechar ajudou-os a compreender e a treinar a respiração abdominal, deitados, com uma mão na barriga. Volvidos quase 40 minutos, a sessão terminou com um convite para fecharem os olhos e, em silêncio, ouvirem os sons que os rodeavam durante uns minutos. O regresso às salas fez-se em sossego, de tal modo que, até para cantar, as crianças fizeram-no baixinho, conta Lucília Gonçalves, coordenadora do JI, que faz um balanço muito positivo do projeto que arrancou em setembro. Mais concentração e equilíbrio Dinamizado por Ana Simões, admiradora da filosofia budista, as sessões de meditação e relaxamento para crianças chegam ainda semanalmente aos JI de Monte Real, Coimbrão, Riba d’Aves e Monte Redondo, também do Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel. Baseado em exercícios de mindfulness – o mesmo que atenção plena – o projeto visa “trabalhar a concentração, a atenção e o equilíbrio” bem como “ajudar a gerir as emoções”. Para as técnicas de relaxamento, respiração e meditação, recorre ainda a histórias, livros, imagens, contos, música e jogos, alguns dinâmicos que permitem às crianças tocar instrumentos, dançar e até correr. Os exercícios são adaptados de acordo com as idades do público-alvo a que Ana Simões se dedica, e que varia entre os 3 os 15 anos. “A meditação e relaxamento estimulam a capacidade de dirigir a atenção para algo durante um certo período de tempo. Estas ferramentas ajudam-nos a trabalhar competências ou emoções específicas, contribuindo para a melhoria do rendimento escolar”, sustenta a instrutora. Benefícios que educadoras e assistentes, fãs do projeto, também aproveitam ao participarem nas sessões enquanto dão apoio às crianças. E ao fim de dois meses, já se notam resultados? “É incrível. Temos visto progressão de sessão para sessão, porque o tempo de silêncio vai crescendo”, afirma Lucília Gonçalves, que vê chegar as crianças à quarta-feira sempre motivadas para fazer a sessão. “Mesmo depois, na sala de aula, o silêncio permanece. Dobraram as mantas e calçaram-se em silêncio, pus uma música e o cantar deles é baixinho, sem eu pedir”, destaca, referindo que a atividade é dinamizada no horário letivo, de modo a permitir a participação de todas as crianças. Mães rendidas Leandra Encarnação, mãe de uma menina de 4 anos, ficou rendida. “Adorei participar. É mesmo uma sessão de relaxamento”, confessa, ela que diz notar maior concentração na filha, que já em casa tenta repetir os exercícios que aprendeu no JI. “Tenho levado muitas massagens e acho fantástico”, partilha, revelando que a menina já lhe pediu para comprar “os sininhos e a bolinha”. Ângela Lobo também ficou com vontade de experimentar, depois de se surpreender com o facto de a filha, de 5 anos, ter conseguido estar “sossegadinha o tempo todo”. “Por norma não está quieta mais do que dez minutos”, adianta, convicta de que esta experiência lhe será útil quando for para o 1º ciclo. ”Acho que ajuda a trabalhar a concentração”, refere, admitindo que quanto mais cedo as crianças começarem a praticar estas técnicas, mais benefícios terão. Texto publicado na edição de 23 de novembro de 2017 do REGIÃO DE LEIRIA

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