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Bonvida foi vendida e retoma laboração com ex-funcionários

Trabalhadores guardaram a fábrica durante anos para garantir reabertura Foto de arquivo: Joaquim Dâmaso

“Valeu a pena”, desabafa uma ex-funcionária da Bonvida – Porcelanas S.A, fábrica da Batalha, que fechou portas em 2011. Há quase sete anos que esperava pelo dia em que a fábrica reabrisse portas. E esse dia chegou na passada semana. Para trás ficaram anos de vigília em frente das instalações.

Em setembro de 2011, no centro do furacão da crise económica e financeira que sacudiu o país, cerca de 170 funcionários viram-se confrontados com o fecho da empresa que se dedicava ao fabrico de loiça e comercialização de produtos de mesa utilitários e decorativos. Seguiu-se o processo de insolvência.

Na altura, multiplicavam-se as notícias de empresas que fechavam portas. Mas em Pinheiros, a um par de quilómetros da vila da Batalha, havia um pormenor invulgar: durante anos, um grupo de funcionárias guardou noite e dia as instalações, na esperança de conseguir manter a fábrica apta a retomar a atividade. Tudo fazia crer que isso nunca iria acontecer, mas a empresa prepara-se para retomar a laboração. O improvável aconteceu.

A Vasicol, empresa sedeada em Moitalina, Porto de Mós, e que se dedica ao fabrico de vasos e artigos utilitários de mesa, sobretudo para exportação, adquiriu a unidade da Batalha. No início da semana passada, alguns funcionários preparavam já a abertura das instalações. Os responsáveis da Vasicol confirmam ao REGIÃO DE LEIRIA a aquisição, explicando que pretendem que a fábrica entre em funcionamento o quanto antes.

Foi há cerca de um ano que se iniciou o processo de compra que, contudo, só há poucos dias foi formalmente concluído. “Devemos agradecer às pessoas que guardaram as instalações e permitiram que estejam em condições para serem utilizadas”, refere um responsável da Vasicol. E acrescenta: “nós estamos agradecidos e todos os portugueses, devem estar-lhes agradecidos, pois é dinheiro dos contribuintes que se poupa”. Afinal, explica, assim é possível voltar a criar emprego e contribuir com impostos.

Fiel depositário da unidade fabril durante a insolvência, Horácio Moita Francisco, que também é vereador (CDS-PP) na Batalha, não esconde a satisfação pelo resultado conseguido: “há sete anos disse que a fábrica ia abrir e criei as condições para que abrisse”. A empresa, estima, poderá atingir ainda este ano os 120 postos de trabalho, integrando funcionárias que resistiram a 79 meses de espera por uma solução. Há muitas histórias por contar por quem teimou que o seu posto de trabalho não haveria de desaparecer. Mas as funcionárias que resistiram todo este tempo sem prestarem declarações públicas sobre o processo mantêm essa resolução. 

(Notícia publicada na edição do REGIÃO DE LEIRIA de 26 de abril e editada)

Carlos S. Almeida
Jornalista
carlos.almeida@regiaodeleiria.pt

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