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Aves criadas à mão valem títulos nacionais a criador de Bidoeira de Cima

A música está a tocar. É assim 24 horas por dia. Faz parte do processo de domesticação dos psitacídeos que Alexandre Santos desenvolve há vários anos. Nas incubadoras estão cerca de duas dezenas de aves, as mais novas com 15 dias, outras já com semanas. O som ajuda-as a habituarem-se à voz humana.

Talvez seja esse um dos segredos para que este criador de Bidoeira de Cima, no concelho de Leiria, campeão nacional de ornitologia, consiga ter espécies únicas a nível nacional.

“Começou tudo numa brincadeira, como é normal. Desde muito novo fui habituado a ter aves, canários, periquitos, e à medida que fui conhecendo o mundo da ornitologia, procurei novas espécies. Desde os 17 anos que optei pelos psitacídeos”, explica. Hoje em dia, dedica-se por completo à atividade de criação e comercialização de aves exóticas, mais concretamente psitacídeos (papagaios, pirruras, araras, cacatuas, jandaias, pionites, …).

O papagaio cinzento é o mais conhecido mas a (maior) procura é nas aves com penas de cor amarela, laranja, vermelha, azul e verde. Um verdadeiro arco-íris.

Com 300 aves reprodutoras, todas registadas no ICNF, Alexandre Santos, da Bidoaves, cria entre 500 a 600 crias por ano. A quase totalidade está encomendada com um ano de antecedência e o destino, para 70% das aves, é o mercado espanhol. As mais baratas custam 60 euros, as mais caras algumas centenas de euros.

“Há uma procura elevada por aves criadas à mão. O mercado tem vindo a crescer de forma impressionante. Cada vez mais pessoas querem ter uma ave em vez de um cão ou um gato”, refere.

O processo é moroso. Quinze dias depois de saírem do ovo, Alexandre Santos retira-as para incubadoras e começa a alimentá-las à mão, três a quatro vezes por dia, entre as 7h30 e as 2 horas da madrugada. O contacto com o humano também começa a ser trabalhado. Saem da incubadora com 45 dias e começam a comer sozinhas. Até ficarem independentes, o processo dura 70 dias.

Gasta, por mês, cerca de 500 kg de ração para alimentar todos estes bicos: granulado, uma mistura com 16 tipos de sementes, maçã e cenoura.

Para conseguir a melhor linhagem, o criador participa em competições nacionais e internacionais, com os melhores exemplares, segundo a postura no poleiro, perfeição de penas, desenho da ave, tamanho,…

Em 2018 foi campeão nacional em quatro categorias distintas. Apurado para o Campeonato do Mundo, no início de janeiro, ficou em 4º lugar, a um ponto do pódio. Não conseguiu repetir o 3º lugar mundial de 2016, ano que marcou o aumento de procura das aves que cria, mas espera voltar ao topo já no próximo ano, no Mundial 2020, em Matosinhos.

“Como quase todos os criadores, quero evoluir e aprender mais, com mais espécies e mais raras. Já encaminhei algumas, por exemplo, para programas de reintrodução de espécie no meio natural. Consigo fazer uma coisa que gosto, coisa que nem toda a gente consegue. E isso deixa-me satisfeito, apesar de isto me ‘roubar’ muito tempo”, diz.

Marina Guerra
Jornalista
marina.guerra@regiaodeleiria.pt

Joaquim Dâmaso
Fotojornalista
joaquim.damaso@regiaodeleiria.pt

Por ano, Alexandre Santos cria entre 500 a 600 aves à mão. Quinze dias depois de saírem do ovo, são retiradas para incubadoras e alimentadas à mão, três a quatro vezes por dia, entre as 7h30 e as 2 horas da madrugada. Saem da incubadora com 45 dias e começam a comer sozinhas. Até ficarem independentes, o processo dura 70 dias.

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A procura por psitacídeos aumentou nos últimos anos, como alternativa ao cão e ao gato como animais domésticos. Alexandre Santos tem praticamente todas as aves reservadas com um ano de antecedência e 70% da criação tem como destino o mercado espanhol.

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