Rui Rocha, que no verão passado bateu com a porta, demitindo-se da liderança da distrital de Leiria do PSD, regressa à corrida pela presidência daquele órgão. Mas não será uma disputa solitária. As eleições decorrem este sábado.

O antigo presidente da Câmara de Ansião era, até ao primeiro dia de agosto, o presidente da distrital. Demitiu-se, em discordância com a estratégia do partido para o distrito, plasmada na lista de candidatos às legislativas. Foi um verão quente para os social-democratas do distrito, com mudanças a um par de meses das legislativas.

Rui Rocha 

Luís Filipe Silva

Este sábado, Rui Rocha ensaia o regresso ao lugar, enfrentando um dos candidatos inscritos na lista social-democrata nas últimas legislativas e trazendo consigo a líder nacional da JSD, Margarida Balseiro Lopes. Para reconquistar a presidência, Rui Rocha terá de levar de vencida Luís Filipe Silva, atualmente vereador na Câmara de Figueiró dos Vinhos e líder da concelhia do PSD naquele concelho.

No partido, há quem entenda que será impossível dissociar desta disputa a dois, os ecos provocados pela demissão que Rui Rocha protagonizou no verão passado – e que teve implicações na estrutura nacional do partido, pois Rui Rocha também se demitiu das funções de vogal da Comissão Política Nacional -, bem como o preâmbulo das movimentações que, em janeiro, vão desaguar na disputa pela liderança nacional do PSD. O certo é que no ato eleitoral deste sábado, os militantes do distrito vão confrontar-se com duas listas.

Ao REGIÃO DE LEIRIA, Luís Filipe Silva – que, em caso de vitória, travará o regresso de Rui Rocha à presidência que largou há quatro meses – adianta que a sua candidatura pretende que “haja pluralidade e maior atividade na distrital, dando voz às concelhias e militantes”.

Luís Félix Castelhano é o nome proposto na lista de Luís Felipe Silva para liderar a mesa da assembleia distrital, Rui Capitão é candidato a presidir o conselho de jurisdição distrital e Arlindo Dinis concorre à liderança da comissão distrital de auditoria financeira.

Luís Filipe Silva, engenheiro florestal e um dos candidatos do PSD pelo distrito de Leiria nas últimas legislativas, considera que o hábito de apresentar listas “únicas e unânimes não é saudável”: “é importante a disputa saudável e a entrada de novos elementos e ideias”, explica.

Reativar a militância, preparar as próximas eleições autárquicas – “queremos conquistar o maior número de câmaras”, afirma- são alguns dos seus principais objetivos. Reconquistar a Câmara de Leiria é uma das tarefas, aponta.

Por seu lado, Rui Rocha garante ser com “estupefação” que encara a candidatura de Luís Filipe Silva: “ainda a semana passada aceitou integrar a minha lista”, acusa. “É uma lista feita à pressa”, diz.

“Não comento, [essa acusação] revela algum nervosismo e ansiedade, pois surgiu uma lista que tem o mérito de chamar os militantes para fazerem outra escolha”, responde Luís Filipe Silva.

Apesar das discordâncias em vésperas de eleições, ambos os candidatos apontam o reforço dos resultados eleitorais nas próximas autárquicas como um objetivo a atingir. Reconquistar a Câmara de Leiria é uma das principais metas.

“Deve apostar-se fortemente numa candidatura competente para reconquistar a Câmara de Leiria, a par do objetivo de alcançar o maior número de câmaras possível”, aponta Rui Rocha.

O economista de Ansião aposta ainda num partido “mais moderno e aberto” e que reconquiste os militantes. Caso vença, Rui Rocha preconiza a realização de um “grande evento”, um “fórum de reflexão”, temático, sobre o desenvolvimento do distrito de Leiria.

Margarida Balseiro Lopes é candidata da lista liderada por Rui Rocha para presidir à mesa da assembleia distrital e Manuel Carlos Sousa é candidato a presidir o conselho de jurisdição distrital.  Para presidir à da comissão distrital de auditoria financeira, a lista de Rui Rocha apresenta João Cunha.

A eleição dos órgãos distritais do PSD de Leiria decorre este sábado, dia 30, das 15 às 20 horas, nas diversas concelhias do distrito.

Nota: notícia complementada, às 21h56, com a indicação de que Rui Rocha, em agosto, também deixou as funções de vogal da Comissão Política Nacional.

CSA