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Jerónimo de Sousa nas comemorações dos 60 anos da fuga de Álvaro Cunhal da Fortaleza de Peniche

Há 60 anos, o dia 3 de janeiro ficaria marcado pela fuga de Álvaro Cunhal e mais nove presos políticos da Fortaleza de Peniche. Este sábado, o acontecimento é evocado numa sessão especial.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, participa, este sábado, nas comemorações dos 60 anos da fuga do ex-líder comunista Álvaro Cunha, ocorrida a 3 de janeiro de 1960, da Fortaleza de Peniche, uma das prisões políticas do Estado Novo. A evocação da data, intitulada “Fuga Rumo à Vitória”, começa pelas 15 horas com uma visita guiada aos pontos fulcrais da fuga na Fortaleza de Peniche. Pelas 17 horas, Jerónimo de Sousa que, em 2014, assistiu em Peniche à recriação da fuga por ocasião do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, participa agora na sessão solene evocativa dos 60 anos da fuga, no auditório do Edifício Cultural da Câmara de Peniche. A fuga de Álvaro Cunhal e de mais nove companheiros é uma das 20 realizadas a partir do interior das prisões políticas do Estado Novo e constitui um dos episódios mais marcantes do combate à ditadura em Portugal. A fuga “exigiu uma longa preparação e uma eficaz coordenação entre os presos e os seus apoios no exterior”, refere o catálogo da exposição “Por teu Livre Pensamento”, patente na Fortaleza de Peniche, desde a inauguração da primeira fase do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade ali instalado. A fuga obrigou à execução de um plano prévio por um grupo restrito de presos, que começou por estudar todas as hipóteses e sobretudo o trajeto entre as celas e a muralha. Álvaro Cunhal e alguns companheiros vieram a concluir que a fuga só poderia ser bem sucedida com uma saída direta das celas de alta segurança do terceiro piso do bloco C para o topo das muralhas e com a colaboração do militar da GNR, que ali no alto fazia sentinela. O cabo José Alves acedeu colaborar e ser contactado no exterior por um dirigente do PCP, tendo a direção do Comité Central do partido sido envolvida nos planos. A fuga veio a ser várias vezes adiada por mudanças inesperadas na escala de serviço do militar da GNR. Nos preparativos, foi estudada a forma de prender o guarda prisional que fazia a vigilância às celas e produzir, a partir de mantas e lençóis, cordas sólidas para escalar as muralhas e apoiar a descida para o solo, já no exterior da prisão. A 3 de janeiro, a fuga iniciou-se depois do jantar, com os presos Guilherme da Costa e Carlos Costa a imobilizar o guarda prisional e a pô-lo a dormir com um lenço embebido em éter. Os 10 fugitivos começaram a sair, um a um, debaixo do capote do GNR, que os levava até à muralha, donde vieram a descer para o exterior. No largo da bola, esperavam-nos três automóveis, que os transportaram para longe. Os fugitivos eram Álvaro Cunhal, na altura um dos mais destacados dirigentes do PCP que veio a ser eleito secretário-geral do partido um ano e três meses depois, e Jaime Serra, outro dirigente do PCP, que liderava o “braço armado” do PCP durante a Guerra Colonial, que já tinha fugido das prisões de Peniche e de Caxias. Veio a pertencer à Comissão Política e foi deputado do PCP após o 25 de abril de 1974. A eles juntaram-se Joaquim Gomes, Carlos Costa, Francisco Miguel, Pedro Soares, Guilherme da Costa Carvalho, Rogério de Carvalho, José Carlos e Francisco Martins Rodrigues, dirigentes do PCP. A fuga de Álvaro Cunhal e dos seus companheiros foi notícia nos principais órgãos de comunicação social a nível mundial e abalou o regime de Salazar, que fez todos os esforços para capturar os fugitivos e aumentou a repressão e a segurança dentro das cadeias. Lusa