“A vida de um doente com a Covid-19 tem o mesmo valor que a vida de um doente sem a Covid-19”. Quem o sublinha é Carlos Cortes, responsável da Ordem dos Médicos na região Centro que apela aos doentes que não deixem de ir às consultas e tratamentos urgentes.

O apelo foi hoje tornado público pelo presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos. “Em caso de doença, não podemos recear. Temos de procurar respostas quando estivermos doentes”, diz Carlos Cortes.

Em comunicado, este responsável apelou a que ninguém deixe de recorrer aos cuidados de saúde, recomendando aos doentes com doenças crónicas ou casos súbitos e complexos para que continuem a ir às consultas e aos tratamentos médicos.

Os receios que a população enfrenta face à Covid-19, justificaram esta tomada de posição do presidente da Secção Regional do Centro. Carlos Cortes lembra, todavia, que nas unidades de saúde, “quer nos cuidados de saúde primários quer nas unidades hospitalares, existem circuitos bem organizados para atender os doentes sem sintomatologia Covid-19”, aponta o comunicado.

O rosto da Ordem dos Médicos na região Centro deixa o alerta para quem “está debilitado e com algum tipo de restrição para que recorra à linha SNS 24 (808 24 24 24), de modo a que se encontrem as melhores respostas clínicas”.

Carlos Cortes, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos

“Temos de evitar que o pós Covid-19 seja dramático. Há vidas para salvar por causa desta infeção pandémica, mas há outras a salvar com inúmeras patologias, como os doentes oncológicos ou os transplantados”, lembra Carlos Cortes.

Carlos Cortes sublinha ainda que ninguém deve evitar de recorrer às urgências em caso de situação grave. Mas deixa ainda outros apelos.  As grávidas estão entre os destinatários: a vigilância de rotina (que inclui a ida às consultas, a realização de ecografias, a realização de análises e outros exames) é fundamental, aponta a secção regional da Ordem dos Médicos.

“Há muitas situações em que não se deve evitar de ir ou adiar tratamentos”, refere Carlos Cortes, “designadamente as doenças do foro cardiovascular e oncológico”, alertando para o perigo de poderem vir a existir muitas mortes devido ao adiamento e cancelamento de consultas e outros atos médicos.

“Temos de evitar que o pós Covid-19 seja dramático. Há vidas para salvar por causa desta infeção pandémica, mas há outras a salvar com inúmeras patologias, como os doentes oncológicos ou os transplantados”, reforça ainda Carlos Cortes.