Sem data para o regresso à atividade, os clubes de natação vivem momentos complicados, quer desportivos, quer económicos, e estão a promover um movimento nacional para sensibilizar a população que as piscinas são um equipamento seguro.

#nãodeixesportugalafogar é o nome do movimento nacional que surgiu, esta semana, em reunião de treinadores da Federação Portuguesa de Natação (FPN), num mote – #nãodeixesportugalafogar – lançado pelo técnico leiriense João Paulo Fróis.

“As piscinas são seguras, como foi dito ontem pelo Primeiro-Ministro, desde que [as águas sejam ] bem tratadas, ou melhor, desinfetadas. Isso está nas normas de utilização destes equipamentos muito antes da Covid-19 ter surgido”, explica o treinador e coordenador da competição do Bairro dos Anjos (BA).

“Nós, treinadores, estamos preocupados com a lentidão da reabertura das piscinas. No contributo da conversa sobre quais as medidas a tomar, eu avancei com a frase e, de imediato, os cerca de 50 treinadores presentes, entre eles o diretor técnico nacional, disseram que já tínhamos um chavão para a nossa mobilização”, afirma.

O próprio presidente da FPN já publicou nas redes sociais a mensagem, bem como muitos clubes nacionais. “O objetivo deste movimento é desenvolver um conjunto de iniciativas, com o intuito de sensibilizar os órgãos decisores para a importância da atividade que desenvolvem e que retome a normalidade o quanto antes, respeitando as normas de proteção e higiene”, refere a nota de imprensa da FPN. 

No espaço de poucas horas, o movimento ganhou apoio de norte a sul do país, passando pelos arquipélagos da Madeira e Açores e “a Federação está de braço dado com este movimento de treinadores, atletas e clubes”, diz o técnico.

“A nossa grande preocupação é a longa paragem que estamos a ter. Niniguém estava a fazer nada e ninguém vinha a público dizer que, na piscina, as pessoas podem estar seguras e sem correr riscos”, reforça João Paulo Fróis.

“Em algumas piscinas já começaram a treinar e é nesse sentido que queremos movimentar opiniões. Claro que, numa primeira fase, apenas com atletas com autonomia e com uma redução clara de pessoas por hora na piscina. Neste momento, apontamos para uma área de 8 m2 por pessoa no plano de água, é essa a indicação que consta do documento que a FPN enviou para o IPDJ, para ser aprovado pela Direção-geral de Saúde”, explica.

Sem atividade e sem mensalidades

Sem atividade desportiva, e cujo retomar não está previsto antes de 1 de junho, o Bairro dos Anjos admite que “está a ficar numa situação muito difícil”. “Graças à boa vontade de alguns alunos/atletas, que mantêm a mensalidade, temos continuado, mas não chega para cobrir a diferença que nos cabe. Fizemos um pedido de donativos, que teve pouca adesão, por isso necessitamos de voltar rapidamente à piscina”, salienta o treinador do clube leiriense.

Após 58 dias paragem, no início desta semana, os nadadores de alto rendimento voltaram a entrar na água das piscinas do Jamor. Contudo, antes de entrarem nas instalações, todos os nadadores foram sujeitos à medição da temperatura corporal assim como à medição do nível de oxigénio no sangue (oximetria). 

A Federação conta que, nas próximas semanas, o regresso à piscina poderá ser extensível aos nadadores que residem no Centro de Alto Rendimento do Jamor e aos restantes nadadores da Seleção Nacional.

Piscinas com lotação máxima diária

No conjunto de normativas que a FPN pretende implementar aquando da reabertura das piscinas, e que está a aguardar aprovação da Direção-geral de Saúde, está uma lotação máxima de 140 atletas por dia.

O número de segurança tem em conta uma piscina com 10 pistas e 20 atletas por cada um dos sete períodos de treino, com os utilizadores alternados entre a água e aquecimento fora desta.

“Cabe, no entanto, a cada uma das entidades proprietárias dos espaços aquáticos a responsabilidade de assumir estes e outros protocolos de segurança e de higienização, assim como a reabertura das instalações”, sublinha a FPN.

O extenso documento abrange várias normativas para grupos de competição como a gestão do espaço, o distanciamento e segurança e medidas de higiene.

Aqui defende-se, entre outros, um espaço de quatro metros quadrados de segurança entre os atletas, o evitar de cruzar os grupos A e B (os que estão a nadar com os do aquecimento), a redução da utilização dos balneários para 50% da capacidade e a utilização de cacifos alternados.

Quanto às aulas de natação e grupos especiais, são referidos cuidados no distanciamento social, higienização sistemática e proteção individual.

“A apresentação deste documento visa essencialmente sensibilizar os órgãos tutelares sobre a problemática associada à paragem do setor e que abrangem os aspetos económicos, desportivos e relacionados com a promoção da atividade desportiva e exercício físico”, refere o documento.

É referido o relatório do Grupo de Assessoria e Tratamento de Água de Piscina de Saúde Pública do Reino Unido (PWTAG), segundo o qual “a água da piscina é um ambiente seguro e isento da covid-19” devido ao tratamento com cloro.